Resumo
O Governo de Moçambique lançou um Programa de Formação Profissional e Estágios Remunerados financiado pelo Banco Mundial, em parceria com a Fundação MozYouth e a ADIN, para 1.000 jovens de Cabo Delgado, Nampula e Niassa, com foco em Cabo Delgado devido aos investimentos no setor do gás natural. O programa visa melhorar a empregabilidade dos jovens, especialmente mulheres, preparando-os para as necessidades do mercado de trabalho, com estágios remunerados que frequentemente resultam em contratações efetivas. A iniciativa destaca a região Norte do país como laboratório de integração económica, visando fortalecer as empresas locais e aumentar o rendimento familiar. A estratégia aposta na resiliência económica e social, sendo fundamental garantir a qualidade da formação e a correspondência entre as competências oferecidas e as necessidades empresariais para o sucesso do programa.
O Governo de Moçambique lançou, em Pemba, um novo Programa de Formação Profissional e Estágios Remunerados destinado a 1.000 jovens das províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa .
A iniciativa é financiada pelo Banco Mundial através do programa Conecta Negócios e conta com apoio técnico da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), sendo implementada pela Fundação MozYouth ao longo de 15 meses.
O foco recai maioritariamente sobre Cabo Delgado, província que tem registado forte dinâmica económica associada a grandes investimentos, nomeadamente no sector do gás natural.
Empregabilidade Como Pilar De Estabilidade
O programa dirige-se a jovens entre os 18 e os 35 anos, procurando responder a constrangimentos estruturais como acesso limitado ao primeiro emprego, fraca inserção em redes profissionais e persistentes desigualdades de género no mercado laboral.
Pelo menos 60% dos beneficiários serão mulheres, reforçando a dimensão de inclusão económica.
Segundo Daniela Timmich, gestora de programa da MozYouth, o objectivo é preparar os jovens para as necessidades reais das empresas, num contexto em que cadeias de valor associadas ao gás e a outros sectores estratégicos exigem competências técnicas e comportamentais mais robustas .
A abordagem combina formação profissional direccionada com colocação em empresas anfitriãs, permitindo experiência prática estruturada.
Dados Que Sustentam A Estratégia
De acordo com representantes do Conecta Negócios, mais de 50% dos jovens que realizam estágios remunerados acabam por ser contratados pelas empresas parceiras .
Este indicador reforça a tese de que programas de inserção laboral com componente prática constituem instrumentos eficazes de transição para emprego formal.
A Fundação MozYouth, criada em Dezembro de 2023, já colocou mais de 2.000 estagiários em cerca de 300 empresas em todo o país, com taxas de integração superiores a 50%.
Norte Como Laboratório De Integração Económica
A escolha do Norte do país não é aleatória. A região enfrenta desafios complexos, incluindo instabilidade passada em Cabo Delgado e limitações estruturais de capital humano.
Simultaneamente, concentra alguns dos maiores projectos de investimento do país, nomeadamente no sector energético.
Ao alinhar liderança governamental, financiamento internacional e capacidade de implementação local, o programa procura criar uma ponte entre crescimento macroeconómico e inclusão social.
A aposta na empregabilidade jovem é apresentada como instrumento de resiliência económica e social, fortalecendo empresas locais com quadros qualificados e ampliando rendimento familiar.
Entre Potencial E Execução
O sucesso do programa dependerá da capacidade de assegurar qualidade formativa, correspondência efectiva entre oferta de competências e procura empresarial e acompanhamento rigoroso dos resultados.
Num país com elevada taxa de juventude e pressão estrutural sobre o mercado de trabalho, iniciativas desta natureza podem desempenhar papel relevante na absorção de mão-de-obra e na consolidação de cadeias de valor locais.
A equação é clara: crescimento económico sustentado exige integração efectiva da juventude no tecido produtivo.
Se bem executado, o programa poderá funcionar como modelo replicável de ligação entre grandes investimentos, PME’s e capital humano local.
Fonte: O Económico






