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Saturday, February 7, 2026
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HIDROCARBONETOS: CRESCIMENTO PARA ELES, DEPENDÊNCIA PARA O PAÍS?

Resumo

O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, destacou a importância da fábrica de Gás Liquefeito de Petróleo (GPL) para fortalecer a posição do país como fornecedor de energia. No entanto, apesar de ser apresentada como impulsionadora de progresso e modernização, a iniciativa levanta preocupações sobre a dependência contínua de Moçambique em relação aos recursos naturais e a falta de uma estratégia clara para diversificar a economia. O discurso presidencial não abordou as fragilidades estruturais históricas que resultaram em ciclos de dependência e desigualdade. É crucial uma abordagem realista e comprometida com reformas que promovam a inclusão, transparência e sustentabilidade, para evitar que Moçambique permaneça preso ao modelo de exportação de matérias-primas. A falta de uma visão abrangente pode resultar em mais oportunidades perdidas para o país.

Por: Lurdes Almeida

O Presidente da República, Daniel Chapo afirmou, recentemente, que a fábrica de Gás Liquefeito de Petróleo (GPL) e outros associados fortalecem a posição de Moçambique como fornecedor de energia, no processo de electrificação e industrialização.

 

No entanto, o discurso presidencial apresenta estes projectos como motores inevitáveis de progresso, modernização e integração regional, mas ignora as fragilidades estruturais que historicamente, transformaram promessas de prosperidade em ciclos de dependência, volatilidade e desigualdade.

 

Ao enaltecer a iniciativa como elemento transformador, o PR evita abordar a dependência que ela reforça e a ausência de uma estratégia nacional clara que articule o sector extractivo com a diversificação económica. Sem essa visão, Moçambique corre o risco de continuar preso ao paradigma de exportação de matérias-primas, enquanto importa quase tudo o que é essencial para a sua economia.

 

Não se trata de negar a importância dos hidrocarbonetos, mas de exigir uma visão mais realista, menos celebratória e comprometida com reformas que garantam inclusão, transparência e sustentabilidade. Sem isso, a infra-estrutura integrada de processamento de hidrocarbonetos poderá ser mais um capítulo na longa história de oportunidades perdidas.

 

 

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