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Monday, February 2, 2026
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Moçambique E EUA Reajustam Modelo De Financiamento Da Saúde Com Maior Apropriação Do Estado

Resumo

Moçambique e os Estados Unidos da América assinaram um novo acordo de 1,8 mil milhões de dólares para financiar o setor da Saúde nos próximos cinco anos. Este acordo introduz uma subvenção direta de governo para governo, visando fortalecer a coordenação pública e a responsabilização, substituindo o modelo anterior que canalizava fundos através de organizações não-governamentais. O Ministro da Saúde de Moçambique, Usene Isse, destaca que esta mudança permitirá uma melhor utilização dos recursos, com o governo moçambicano assumindo um papel central na implementação e monitorização dos programas financiados. O acordo mantém o foco nos programas de combate ao HIV/SIDA, malária e tuberculose, reforçando também a vigilância epidemiológica e a capacidade de resposta a emergências de saúde pública.

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p style="margin-top: 0in;text-align: justify;background-image: initial;background-position: initial;background-size: initial;background-repeat: initial;background-attachment: initial">Novo acordo de 1,8 mil milhões de dólares introduz subvenção directa de governo para governo, reforçando a coordenação pública, a previsibilidade financeira e as exigências de responsabilização no sector da Saúde.

Moçambique e os Estados Unidos da América acordaram um reajuste estrutural no modelo de financiamento ao sector da Saúde, introduzindo um mecanismo de subvenção directa de governo para governo que visa reforçar a apropriação nacional, a coordenação institucional e a eficácia da utilização dos recursos externos, num acordo avaliado em 1,8 mil milhões de dólares para os próximos cinco anos.

Mudança De Paradigma No Financiamento Da Saúde

O novo entendimento assinala uma ruptura relevante com o modelo anterior, em que uma parte substancial dos recursos disponibilizados pelos EUA era canalizada através de organizações não-governamentais. Segundo o Ministro da Saúde, Usene Isse, esse formato revelou limitações significativas, nomeadamente a fragmentação da execução e o facto de apenas cerca de 40% dos fundos beneficiarem directamente o Sistema Nacional de Saúde.

Com o novo mecanismo, o Governo de Moçambique passa a assumir um papel central na planificação, execução e monitoria dos programas financiados, num movimento alinhado com a agenda de reforço da soberania administrativa e da responsabilização pública.

Prioridades Programáticas Mantidas, Execução Reforçada

Apesar da alteração do modelo, o acordo preserva o foco nas áreas críticas da saúde pública, com destaque para os programas de combate ao HIV/SIDA, malária e tuberculose. A nova abordagem reforça igualmente a vigilância epidemiológica e a capacidade de resposta a emergências sanitárias, num contexto em que os riscos de choques de saúde pública continuam presentes.

O acordo inclui ainda componentes estruturais, como o fortalecimento dos sistemas laboratoriais, a gestão da cadeia logística de medicamentos e consumíveis médico-cirúrgicos, bem como a contratação e capacitação de recursos humanos, áreas que têm condicionado o desempenho global do sector.

Implicações Económicas E Orçamentais

Do ponto de vista económico, trata-se de um dos mais significativos fluxos de financiamento externo direccionados a um sector social em Moçambique. A previsibilidade associada a um envelope plurianual de cinco anos reforça a capacidade de planeamento do sector da Saúde e reduz a volatilidade associada a financiamentos fragmentados.

Em termos macroeconómicos, o acordo tem impacto directo na balança de transferências e na execução orçamental, ao mesmo tempo que eleva as exigências de controlo financeiro, transparência e articulação entre o Ministério da Saúde e o Ministério das Finanças.

Dimensão Institucional E Exigência De Resultados

O novo modelo implica um aumento substantivo da responsabilidade do Estado na gestão dos fundos, num contexto em que a governação pública moçambicana entrou numa fase marcada pela avaliação por resultados. A execução directa exige sistemas robustos de monitoria, auditoria e prestação de contas, sob pena de comprometer a credibilidade do modelo e a continuidade do financiamento.

O acordo prevê, aliás, mecanismos de avaliação de desempenho, podendo o financiamento beneficiar de acréscimos anuais caso os objectivos programáticos sejam cumpridos, o que introduz uma lógica clara de incentivo à eficácia.

Leitura Diplomática E Estratégica

Do ponto de vista diplomático, a assinatura do acordo é interpretada como um sinal de confiança da Administração norte-americana na capacidade institucional de Moçambique. O país surge como um dos poucos seleccionados para este modelo revisto de cooperação no sector da Saúde, reforçando o seu posicionamento no quadro das parcerias estratégicas com os EUA.

O entendimento surge igualmente na sequência do reforço do diálogo político de alto nível entre os dois países, incluindo a recente visita do Presidente da República aos Estados Unidos, num contexto de aprofundamento da cooperação bilateral.

Entre Oportunidade E Responsabilidade

O reajuste do modelo de financiamento representa uma oportunidade para fortalecer o Sistema Nacional de Saúde, mas também um teste à capacidade do Estado de gerir volumes significativos de recursos externos com rigor, eficiência e impacto mensurável. O sucesso desta nova abordagem dependerá, em grande medida, da articulação institucional, da disciplina orçamental e da capacidade de transformar financiamento em resultados concretos para a população.

Fonte: O Económico

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