Resumo
Em 2025, o mercado global de commodities agrícolas foi influenciado por clima extremo, ajustes na oferta e diferentes dinâmicas de procura, resultando em preços variados entre produtos. Enquanto os preços dos cereais se normalizaram, culturas tropicais como café, cacau, algodão e outras apresentaram dinâmicas próprias devido a condições meteorológicas e padrões de consumo. O início de 2026 indica um mercado volátil e seletivo. Milho, trigo e soja encerraram o ano passado com preços mais baixos, devido à melhoria parcial da oferta. Café e cacau foram os destaques positivos de 2025, com preços impulsionados por colheitas fracas. O açúcar também teve ganhos significativos, devido a condições climáticas adversas em países produtores-chave.
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p style="margin-top: 0in;text-align: justify;background-image: initial;background-position: initial;background-size: initial;background-repeat: initial;background-attachment: initial">Clima extremo, ajustamentos na oferta e dinâmicas diferenciadas de procura moldaram os preços em 2025 e continuam a condicionar as perspectivas do mercado agrícola global em 2026.
O mercado global das commodities agrícolas encerrou 2025 com desempenhos contrastantes entre produtos, reflectindo ajustamentos pós-crise, choques climáticos severos, tensões geopolíticas e alterações estruturais na oferta e na procura. Segundo a Reuters e a FAO, enquanto os cereais registaram uma normalização dos preços, várias culturas tropicais e semi-industriais — como café, cacau, algodão, gergelim, feijões e castanha de caju — apresentaram dinâmicas próprias, influenciadas por condições meteorológicas, custos de produção e padrões de consumo. O arranque de 2026 aponta para um mercado ainda volátil e altamente selectivo.
Cereais Corrigem Após Anos De Preços Elevados
Milho, trigo e soja encerraram 2025 com preços mais baixos face aos níveis excepcionais observados nos anos anteriores. De acordo com a Reuters, a melhoria parcial da oferta e a normalização de fluxos comerciais aliviaram pressões, apesar da persistência de riscos no Mar Negro e de eventos climáticos na América do Sul e nos Estados Unidos.
Café E Cacau Lideram Ganhos Em 2025
O café e o cacau destacaram-se como as commodities agrícolas com melhor desempenho em 2025. Segundo a Reuters, o cacau atingiu máximos históricos, impulsionado por colheitas fracas na África Ocidental, enquanto o café beneficiou de quebras de produção no Brasil e no Vietname. A FAO acrescenta que a procura global manteve-se resiliente, sustentando preços elevados e maior volatilidade.
Açúcar Mantém Trajectória Positiva
O açúcar registou ganhos relevantes ao longo de 2025, apoiado por condições climáticas adversas em países produtores-chave e pela ligação estrutural à produção de etanol. A Reuters refere que a oferta permaneceu apertada durante grande parte do ano, mantendo os preços sensíveis a choques climáticos.
Algodão Oscila Entre Procura Industrial E Custos De Produção
O algodão apresentou um comportamento mais volátil em 2025. Segundo a Reuters, os preços oscilaram entre expectativas de recuperação da procura do sector têxtil — sobretudo na Ásia — e preocupações com custos de produção elevados e condições climáticas irregulares em grandes produtores. A FAO sublinha que a desaceleração económica global limitou ganhos mais consistentes, mantendo o mercado dependente da evolução do consumo industrial em 2026.
Gergelim Ganha Espaço Nos Mercados Alimentares
O gergelim manteve-se como uma commodity agrícola de nicho, mas com relevância crescente em 2025. De acordo com dados da FAO, a procura global permaneceu firme, impulsionada pela indústria alimentar e por padrões de consumo associados à alimentação saudável. Contudo, a oferta foi afectada por irregularidades climáticas em países produtores africanos e asiáticos, gerando volatilidade de preços. Para 2026, analistas apontam para um mercado sensível a choques de produção e custos logísticos.
Feijões Comportamento Estável, Mas Com Riscos Climáticos
Os feijões apresentaram, em 2025, um comportamento relativamente estável nos mercados internacionais, segundo a FAO. Ainda assim, eventos climáticos extremos em regiões produtoras afectaram colheitas locais, com impacto nos preços regionais. A relevância dos feijões para a segurança alimentar mantém este mercado exposto a riscos climáticos e a políticas de abastecimento em 2026.
Castanha De Caju Entre Procura Global E Ajustamentos De Preço
A castanha de caju registou, em 2025, um mercado marcado por ajustamentos de preços e flutuações na procura internacional. Segundo a Reuters, a procura manteve-se sólida em mercados como a Índia, Vietname e Europa, mas a volatilidade cambial e os custos de processamento influenciaram a formação de preços. A FAO destaca que a recuperação parcial da produção em alguns países africanos ajudou a estabilizar o mercado, embora o início de 2026 permaneça condicionado por factores climáticos e logísticos.
Clima Afirma-Se Como Factor Estrutural
Um dos traços dominantes de 2025 foi a centralidade crescente do clima na dinâmica das commodities agrícolas. A FAO sublinha que secas, chuvas intensas e fenómenos associados ao El Niño passaram a ter impacto imediato sobre a oferta, reforçando a volatilidade dos preços e aumentando a incerteza para produtores e mercados.
2026 Começa Com Tendências De Risco Elevado
O arranque de 2026 aponta para um mercado agrícola global caracterizado por riscos elevados do lado da oferta. Segundo analistas citados pela Reuters, os cereais mantêm um equilíbrio frágil, enquanto produtos como café, cacau, algodão, gergelim e castanha de caju permanecem sensíveis a choques climáticos e logísticos.
Neste contexto, a diferenciação entre commodities será determinante em 2026, num mercado cada vez mais condicionado por factores climáticos, custos de produção e padrões de consumo globais, com implicações directas para inflação alimentar, segurança alimentar e rendimentos agrícolas.
Fonte: O Económico





