Resumo
O mercado energético internacional começou 2026 com um ajustamento significativo no setor petrolífero, devido ao excesso de oferta global e à procura contida, resultando numa queda anual de cerca de 20% nos preços do petróleo, a maior desde 2020. Tensões geopolíticas e sanções a países produtores tiveram pouco impacto, devido à produção norte-americana e ao desequilíbrio entre oferta e procura. O Brent fechou a 60,85 dólares por barril e o West Texas Intermediate a 57,42 dólares por barril. A produção de shale oil nos EUA foi um dos principais fatores, mantendo a pressão descendente nos preços. O mercado foi dominado pela perceção de excesso de oferta, neutralizando o risco geopolítico e limitando o impacto de desenvolvimentos políticos no Médio Oriente.
Queda Histórica Dos Preços Fecha 2025
De acordo com dados compilados pela Reuters, os preços do petróleo encerraram 2025 com perdas próximas de 20%, configurando o desempenho anual mais negativo desde 2020. O Brent acumulou uma desvalorização de cerca de 19% ao longo do ano, fechando a última sessão nos 60,85 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate registou uma queda anual de quase 20%, para 57,42 dólares por barril. Trata-se do terceiro ano consecutivo de perdas para o Brent, a mais longa sequência negativa já registada, num período marcado por conflitos armados, aumento de tarifas comerciais e sanções dirigidas a produtores como Rússia, Irão e Venezuela, refere a mesma fonte.
Excesso De Oferta Neutraliza Risco Geopolítico
Apesar da persistência de tensões geopolíticas ao longo de 2025, o mercado acabou dominado pela percepção de excesso de oferta. Segundo a Reuters, o crescimento da produção global, incluindo no seio da OPEP+, foi determinante para neutralizar o prémio de risco que, em circunstâncias normais, tenderia a sustentar os preços. Mesmo desenvolvimentos políticos relevantes no Médio Oriente tiveram impacto limitado nas cotações, face ao desequilíbrio estrutural entre oferta e procura observado ao longo do ano.
Produção Norte-Americana Mantém Pressão Descendente
Um dos factores centrais para esta dinâmica foi a resiliência da produção norte-americana, em particular do shale oil. Analistas citados pela Reuters sublinham que muitos produtores dos Estados Unidos conseguiram assegurar preços elevados através de mecanismos de cobertura, tornando a oferta menos sensível às oscilações do mercado. Esta característica contribuiu para uma produção mais estável, mesmo num contexto de queda prolongada dos preços, reforçando a pressão descendente sobre as cotações internacionais.
Inventários Dos EUA Revelam Procura Mais Fraca
Os dados mais recentes da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos, citados pela Reuters, reforçam esta leitura. As reservas de crude registaram uma redução de 1,9 milhões de barris na semana terminada a 26 de Dezembro, para 422,9 milhões de barris, um valor superior ao antecipado pelo mercado. Em contrapartida, os inventários de gasolina aumentaram em 5,8 milhões de barris e os de destilados cresceram cerca de 5 milhões de barris, sinalizando uma procura menos dinâmica após o período festivo.
2026 Arranca Com Expectativas Cautelosas
As perspectivas para 2026 apontam para a continuidade desta fase de ajustamento, pelo menos no curto prazo. Segundo projecções de analistas citados pela Reuters, o Brent poderá recuar para níveis próximos dos 55 dólares por barril no primeiro trimestre, antes de recuperar gradualmente para a faixa dos 60 dólares ao longo do ano, à medida que o crescimento da oferta abrande e a procura permaneça relativamente estável.
Neste enquadramento, o mercado energético global entra em 2026 num registo de gestão fina de riscos. A combinação entre excesso de oferta, crescimento económico moderado e incerteza geopolítica impõe uma abordagem cautelosa por parte de produtores, investidores e decisores políticos. Mais do que choques abruptos, o sector enfrenta um processo de consolidação, em que a estabilidade dos preços dependerá da capacidade de ajustamento da oferta e da evolução gradual da procura global.
Fonte: O Económico






