Por: Alfredo Júnior
Os bancos comerciais reduziram, na primeira semana de janeiro, os montantes mantidos como reservas obrigatórias junto do Banco de Moçambique (BdM), reflectindo a dinâmica da liquidez no sistema financeiro e os efeitos das medidas de política monetária adoptadas ao longo do último ano.
A redução ocorre num contexto em que o BdM tem vindo a flexibilizar gradualmente as condições monetárias, depois de um período prolongado de forte aperto destinado a conter a inflação e estabilizar o mercado cambial. Com a diminuição dos coeficientes de reservas obrigatórias em 2025, os bancos passaram a dispor de maior margem de manobra para gerir os seus recursos, o que se traduziu numa menor imobilização de fundos no banco central.
Este ajustamento é interpretado como um sinal de normalização progressiva da liquidez, após meses marcados por restrições no acesso a divisas, custos elevados de financiamento e pressão sobre o crédito. Ao reduzir as reservas no BdM, os bancos ganham maior capacidade para responder às necessidades de curto prazo, seja no financiamento da economia, seja na gestão das suas operações diárias.
No entanto, analistas alertam que a libertação de liquidez não se traduz automaticamente num aumento significativo do crédito à economia real. Factores como o risco elevado, o endividamento das empresas, a instabilidade macroeconómica e a fraca procura por crédito continuam a condicionar a actuação do sector bancário.
O movimento registado na primeira semana de janeiro deve, assim, ser lido como parte de um processo mais amplo de ajustamento da política monetária, e não como um sinal isolado de mudança estrutural. A evolução das reservas bancárias ao longo dos próximos meses será determinante para avaliar se a maior liquidez se reflectirá, de facto, em melhores condições de financiamento para empresas e famílias.






