Por Alfredo Júnior
Os Mambas realizaram dois jogos nesta cidade, o primeiro diante do Gabão em que ganharam por 3-2, provocando uma verdadeira hecatombe no seio dos gaboneses que desde essa derrota começaram a “caça as bruxas” no seio do futebol daquele país, com a sua estrela mor, Pierre-Emerick Aubameyang, e o seu respeitado capitão, Bruno Manga (que tem a alcunha de Paul Biya, devido à sua impressionante longevidade e longa permanência na equipa nacional desde 2006) a serem as principais vítimas.
Mas deixemos esses factos que estão registados nos anais da história do futebol moçambicano e olhemos para como os moçambicanos viveram a sua presença nesta cidade, particularmente os seis jornalistas que estavam escalados para a cobertura da presença da selecção nacional neste campeonato.
Comecemos pela chegada: vindos de Marraquexe, após uma viagem de autocarro de aproximadamente quatro horas, eu e os meus companheiros desembarcamos na Gare de Agadir e os colegas David Nhassengo (Olho Clínico) e Ivo Tavares (Notícias, Desafio e Domingo), que já haviam estado naquela cidade para cobrir um Campeonato Africano de Vólei de Praia, predispuseram-se a ser os nossos guias.
E foi assim que depois de uma breve análise entre o David e o Ivo e tendo efectuado uma consulta rápida no Google Maps, eis que ambos decidiram que deveríamos caminhar a pé da estação de autocarro até ao Apart Hotel de Tagadirt. Proposta aceite pelos restabtes jornalistas Alfredo Júnior (LANCEMZ), Castro Jorge (RM Desporto), Rainito Bata (Diário de Moçambique) e Jeremias Licumbe (Esférico). E lá o grupo anuiu, tendo em conta que as indicações que nos foram fornecidas pela dupla indicava que caminharíamos menos de 20 minutos até ao nosso destino, aceitação essa que como o mais novo do grupo dizia, o Jeremias Licumbe permitiria-nos conhecer a cidade.
E assim fomos empurrando as nossas malas que com as rodinhas diminuíram a massada e disfarçavam o peso do equipamento que cada um transportava e foram uns bons quilómetros nesse exercício até que decidimos questionar a dupla de Agadir quais eram realmente as distâncias que nos separavam do hotel. Obrigados a fazer uma nova consulta colectiva eis que se descobriu que afinal o tempo de caminhada anunciado era de carro e não a pé, o que provocou gargalhadas entre nós e a decisão de procurarmos um táxi para nos levar ao destino.
Foi assim que o grupo, dividido em dois táxis, em dez minutos foi transportado até ao Apart Hotel Tagadirt que foi a nossa casa durante 8 dias. Chegados à nossa base, fomos recebidos pelos gatos que por vezes pareciam superar o número de hóspedes naquela unidade hoteleira, construída há muitos anos e com sinais de estar a beneficiar de uma reabilitação gradual, que faz com que turistas de muitas partes do mundo, sobretudo os oriundos da Alemanha, o escolham, tendo em conta a sua proximidade com a zona turística daquela cidade.
Confesso que nunca tinha visto tanto gato por metro quadrado e a conviver normalmente com os hóspedes, ocupando as cadeiras ao redor das duas piscinas ali existentes, partilhando o mesmo espaço com os clientes quer no restaurante ou então na zona da recepção. Houve dias que os colegas relataram terem visto os gatos a comerem do mesmo prato deixado em cima da mesa pelos hóspedes, o que provocava gargalhadas que nos ajudavam a passar os tempos mortos.
Nesta cidade quebrou-se o gelo entre o Seleccionador Nacional, Chiquinho Conde, e os jornalistas que cobriam a presença dos Mambas neste CAN, particularmente comigo, visto que depois de cenas que não são para aqui chamadas e que se registaram na Argélia no fecho da qualificação ao Mundial 2026, o timoneiro dos Mambas passou a ter uma relação gelada com a comunicação social moçambicana. E estando em véspera do Natal (Dia da Família para os moçambicanos), Conde e os jornalistas trocaram abraços e votos de Feliz Natal o que acabou desanuviando o ambiente e como diz o outro acabou por ser um acto talismã que catapultou os Mambas para a vitória diante do Gabão, no dia seguinte.
Mas quem foram verdadeiramente os gatos pingados que estiveram em Agadir?! Para mim, quem leva esse título na perfeição é a selecção de Angola que saiu de Agadir apenas com dois pontos, fruto do empate com a África do Sul e com o Egipto, que lhes fez sair com o “rabo encolhido” entre as pernas, depois de tanta fanfarronices que nos deram a acompanhar semanas antes.
É que semanas antes e em Portugal, Moçambique e Angola realizaram um jogo amigável de preparação para o CAN-2025 em que os Palancas Negras golearam os Mambas por 4-0 e durante o jogo membros da equipa técnica angolana gritavam alto, a bom som e de forma jocosa o seguinte, sobre a selecção moçambicana: “fechem o Geny, esses moçambicanos não têm nada na sua equipa para além dele”. Engolimos a seco e com a goleada que nos aplicaram ficamos com receio daquilo que seria o desempenho da nossa equipa em Marrocos.
Mas, no final da estada em Agadir foram os angolanos que saíram sem nada e os moçambicanos saíram a festejar a sua primeira vitória e a qualificação para os oitavos-de-final do CAN o que nos fez mudar de cidade para Fés, onde vivenciamos outras histórias dos bastidores desta empreitada que foi a cobertura de mais um Campeonato Africano das Nações pelo autor destas linhas. (LANCEMZ)
Fonte: Lance






