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Monday, January 12, 2026
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Dólar e futuros bolsistas dos EUA caem com escalada do conflito entre Trump e a Reserva Federal

Os mercados financeiros globais iniciaram a semana sob forte tensão, depois de declarações do presidente da Federal Reserve, Jerome Powell, revelarem ameaças de uma eventual acusação criminal por parte da Administração norte-americana. O episódio, interpretado pelos investidores como uma escalada sem precedentes no confronto entre o poder político e o banco central, penalizou o dólar, pressionou os futuros bolsistas dos Estados Unidos e reforçou a procura por activos de refúgio, com destaque para o ouro.

Confronto político abala confiança nos mercados

Segundo a informação avançada pela Bloomberg, Jerome Powell afirmou que a Reserva Federal foi alvo de intimações judiciais associadas a um inquérito sobre obras de renovação da sede da instituição, classificando o processo como um “pretexto” para pressionar o banco central a acelerar cortes nas taxas de juro. As declarações foram interpretadas como um sinal claro de deterioração da relação entre a Fed e a Administração liderada por Donald Trump, que há muito defende uma política monetária mais expansionista.

A reacção dos mercados foi imediata. O índice do dólar registou uma queda generalizada, enquanto os futuros do S&P 500 recuaram cerca de 0,5%, reflectindo a crescente preocupação dos investidores quanto à credibilidade institucional dos Estados Unidos e à previsibilidade da sua política económica.

Ouro dispara e activos de refúgio ganham força

Num contexto de elevada incerteza, o ouro destacou-se como principal beneficiário, ultrapassando a fasquia dos 4.600 dólares por onça, em máximos históricos. Para além do risco institucional nos EUA, a valorização do metal precioso foi reforçada pelas tensões geopolíticas no Médio Oriente, em particular pelo agravamento dos protestos no Irão, que também sustentaram os preços do petróleo.

O franco suíço e o iene japonês registaram igualmente ganhos, confirmando o movimento clássico de fuga para activos considerados mais seguros em períodos de instabilidade política e financeira.

Expectativas de política monetária voltam a ser revistas

Apesar da turbulência, os mercados obrigacionistas reagiram de forma mais contida. As yields das obrigações do Tesouro dos EUA mantiveram-se relativamente estáveis, sinalizando que, para já, os investidores não antecipam uma alteração abrupta na trajectória da política monetária. Ainda assim, os futuros sobre a taxa dos Fed Funds passaram a incorporar uma probabilidade ligeiramente maior de cortes adicionais ao longo do ano, reflectindo o risco de interferência política no processo decisório da Fed.

Analistas sublinham que, mais do que o impacto imediato sobre as taxas de juro, o episódio levanta uma questão estrutural: até que ponto a Reserva Federal conseguirá manter a sua autonomia num ambiente político cada vez mais polarizado.

Leitura económica e implicações globais

O episódio constitui um sinal de alerta para os mercados internacionais. A independência dos bancos centrais tem sido um dos pilares da estabilidade financeira global nas últimas décadas, e qualquer erosão dessa credibilidade nos Estados Unidos tende a ter efeitos de contágio, sobretudo sobre moedas, fluxos de capitais e mercados emergentes.

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p style="margin-top: 0in;text-align: justify;background-image: initial;background-position: initial;background-size: initial;background-repeat: initial;background-attachment: initial">Para economias mais vulneráveis, incluindo várias africanas, um dólar mais fraco e um ambiente de maior volatilidade financeira global podem traduzir-se tanto em oportunidades como em riscos acrescidos, exigindo uma leitura atenta da evolução da política monetária norte-americana nos próximos meses.

Fonte: O Económico

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