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Tuesday, January 13, 2026
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Petróleo prolonga subida com receios de disrupção do fornecimento no Irão.

Tensões políticas em Teerão adicionam prémio geopolítico aos preços do crude, apesar da perspectiva de maior oferta venezuelana.

Os preços do petróleo prolongaram a trajectória ascendente esta terça-feira, impulsionados pelos receios de uma possível disrupção do fornecimento do Irão, num contexto de intensificação dos protestos internos e de endurecimento da retórica dos Estados Unidos, num momento em que o mercado também avalia sinais contraditórios do lado da oferta global.

 Mercado reage à escalada de tensões no Irão

Segundo a Reuters, o Brent valorizou 22 cêntimos, ou 0,3%, para 64,09 dólares por barril, enquanto o WTI norte-americano subiu 23 cêntimos, ou 0,4%, para 59,73 dólares, níveis que reflectem a incorporação crescente de risco geopolítico nos preços do crude .

O foco dos investidores centra-se no Irão, um dos maiores produtores da OPEC, que enfrenta as maiores manifestações antigovernamentais dos últimos anos. Analistas sublinham que qualquer escalada do conflito interno ou intervenção externa poderá afectar a capacidade de exportação do país, num contexto em que a produção iraniana já se encontra condicionada por sanções internacionais.

Washington endurece discurso e mercados avaliam impacto

A situação ganhou maior peso após declarações do Presidente dos EUA, Donald Trump, que admitiu a possibilidade de medidas mais duras, incluindo opções de carácter militar, face à violência registada durante os protestos. Trump anunciou igualmente que países que mantenham relações comerciais com Teerão poderão enfrentar tarifas de 25% nas suas transacções com os Estados Unidos.

Esta posição tem implicações directas para a China, principal destino das exportações petrolíferas iranianas. Especialistas do ING questionam, no entanto, se Washington estará disposto a reabrir frentes de tensão comercial com Pequim, numa fase em que ambas as economias procuram preservar a recente trégua alcançada nas negociações comerciais.

Prémio geopolítico sustenta preços, mas oferta venezuelana pesa

Do ponto de vista financeiro, o banco Barclays estima que a instabilidade no Irão já acrescentou entre 3 e 4 dólares por barril ao preço do petróleo, apenas em prémio geopolítico. Este factor tem sido determinante para contrariar pressões descendentes associadas à evolução da procura e às perspectivas de maior oferta.

Entre essas perspectivas destaca-se a Venezuela, onde a possível normalização das exportações, após mudanças políticas recentes, poderá colocar até 50 milhões de barris adicionais no mercado internacional. Ainda assim, os analistas sublinham que o impacto efectivo dessa oferta dependerá do ritmo de reintegração do crude venezuelano nos fluxos globais e da capacidade logística associada.

Equilíbrio frágil marca arranque de 2026

No balanço geral, o mercado petrolífero inicia 2026 num equilíbrio frágil entre riscos geopolíticos elevados e expectativas de ajustamento do lado da oferta. Para já, a instabilidade no Médio Oriente continua a dominar o sentimento dos investidores, sustentando os preços e mantendo elevada a volatilidade nos mercados energéticos globais.

Fonte: O Económico

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