Por: Virgílio Timana
O bloqueio da avenida Marcelino dos Santos, no bairro de Chamanculo, em Maputo, é mais do que um acto de protesto pontual. É o reflexo de um cansaço acumulado entre moradores que convivem diariamente com o lixo à porta de casa, apesar de cumprirem o pagamento das taxas de recolha. Quando a via pública é fechada, algo essencial deixou de funcionar há muito tempo.
A acumulação de resíduos não é apenas um problema estético. O mau cheiro, a proliferação de insectos e o risco de doenças tornam a situação uma questão de saúde pública. Os residentes questionam, com razão, o destino das taxas cobradas e a eficácia dos serviços municipais. A resposta prometida pela edilidade, apenas para a próxima semana, contrasta com a urgência vivida no terreno.
Importa reconhecer que o problema não se limita a Chamanculo. A cidade de Maputo, em vários bairros, enfrenta o mesmo cenário, o que aponta para dificuldades estruturais na gestão de resíduos. Ainda assim, a reacção dos moradores revela uma clara necessidade de diálogo, transparência e soluções práticas.
Entre a responsabilidade do município e a paciência dos cidadãos, o lixo tornou-se um sinal visível de um desajuste que precisa ser corrigido. Mais do que protestos ou promessas, o que se espera é uma resposta consistente que devolva dignidade aos bairros e confiança aos munícipes.






