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Tuesday, January 13, 2026
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Executivo prevê retoma do crescimento económico já no primeiro trimestre

Governo aponta sinais de inversão da recessão técnica iniciada em 2024, após impactos da contestação pós-eleitoral e destruição de infra-estruturas socioeconómicas.

Economia moçambicana encontra-se em recessão técnica desde 2024;

Governo prevê crescimento trimestral positivo a partir do primeiro trimestre do ano em curso;

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p class="p3">Crescimento de 2025 foi revisto em baixa face às previsões iniciais;

O Governo moçambicano acredita que a economia nacional poderá começar a sair da recessão técnica já no primeiro trimestre do ano, após um período prolongado de desaceleração provocado pela instabilidade pós-eleitoral de 2024. O sinal de optimismo, apresentado pelo Executivo, surge num contexto ainda marcado por fragilidades macroeconómicas, ajustamentos fiscais e uma trajectória de recuperação que permanece condicionada por riscos internos e externos.

Recessão com origem na instabilidade pós-eleitoral

A informação foi avançada esta terça-feira, em Maputo, pelo secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, no final da reunião semanal do Conselho de Ministros. Segundo o governante, a economia nacional foi severamente afectada pela contestação pós-eleitoral de 2024, marcada por agitação social e destruição de infra-estruturas socioeconómicas.

“Em 2024, o País viveu uma tensão pós-eleitoral que se saldou na destruição de infra-estruturas socioeconómicas”, recordou Tivane, acrescentando que os impactos sobre o sector produtivo foram significativos, com custos avaliados “na ordem de centenas de milhões de dólares”.

Desempenho económico em trajectória negativa

Os efeitos da instabilidade reflectiram-se directamente nos indicadores macroeconómicos. No último trimestre de 2024, período mais crítico das manifestações, a economia registou uma contracção de cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB).

Já em 2025, o desempenho manteve-se negativo, ainda que com uma desaceleração progressiva da recessão: –3,9% no primeiro trimestre; –1,9% no segundo trimestre e; –0,9% no terceiro trimestre.

Segundo Tivane, estes dados confirmam que o País permanece em recessão técnica, embora menos pronunciada ao longo do tempo.

“Temos uma recessão que, ao longo do tempo, vai-se tornando menos pronunciada”, afirmou.

Revisão das previsões e gestão macroeconómica

O governante explicou que o Executivo procedeu a uma revisão das previsões iniciais de crescimento económico para 2025, que apontavam para 3,6% do PIB, à medida que nova informação económica foi sendo incorporada no decurso do ano.

Esta reavaliação do quadro macroeconómico esteve igualmente na base da decisão de pagar 40% do 13.º salário de 2025 aos funcionários públicos e pensionistas, um valor inferior aos 50% pagos no exercício anterior.

“Vamos continuar a trabalhar no sentido de fazer a gestão da política macroeconómica para apoiar a trajectória de recuperação da economia”, garantiu Tivane.

Expectativas para 2026 e desafios estruturais

Apesar do optimismo cauteloso quanto à retoma já no primeiro trimestre, o Executivo reconhece que a recuperação será gradual. A expectativa oficial aponta para taxas de crescimento trimestrais positivas ao longo do ano, criando condições para que o País se aproxime da meta de crescimento real do PIB projectada para 2026, estimada em cerca de 2,9%.

 

Contudo, analistas sublinham que a sustentabilidade desta trajectória dependerá da reposição da confiança económica, da reconstrução das infra-estruturas afectadas, da estabilidade social e da capacidade do Estado em equilibrar consolidação fiscal com estímulos à actividade produtiva.

 

Ao projectar uma inversão da recessão já no primeiro trimestre, o Governo sinaliza confiança na normalização da actividade económica, mas o cenário permanece condicionado por fragilidades herdadas de 2024. A consolidação da retoma dependerá menos do optimismo oficial e mais da capacidade de transformar estabilidade política, disciplina macroeconómica e investimento produtivo numa recuperação sustentada e inclusiva.

Fonte: O Económico

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