Na sua intervenção, o Chefe do Estado destacou que Moçambique possui actualmente quatro grandes projectos estruturantes no sector do gás natural, liderados por empresas de referência mundial. A italiana ENI desenvolve dois projectos em Cabo Delgado – Coral Sul e Coral Norte –, avaliados em cerca de 15 mil milhões de dólares norte americanos, enquanto a TotalEnergies e a ExxonMobil lideram projectos de aproximadamente 20 mil milhões de dólares cada. No total, estima-se que cerca de 50 mil milhões de dólares venham a circular na economia moçambicana nos próximos anos, impulsionando o crescimento e a criação de oportunidades.
O Presidente sublinhou, igualmente, o compromisso de Moçambique com a transição energética, destacando a aposta em fontes limpas, como a energia hidroeléctrica. Para além da Barragem de Cahora Bassa, informou que Moçambique prepara-se para avançar com a construção da central hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa, na província de Tete, com capacidade prevista de 1.500 megawatts, em parceria com investidores internacionais.
Além de “Mphanda Nkuwa”, que se espera seja concluída até 2031, o estadista moçambicano considerou igualmente importante realçar a construção da central norte da Hidroelétrica de Cahora Bassa, que terá uma capacidade de produção de 400 megawatts, cuja conclusão está prevista para 2032.
No domínio do gás, o Chefe do Estado referiu que a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) está a procurar parceiros para a instalação de novas plantas de processamento, com vista a responder à crescente procura regional, nomeadamente na África do Sul, Malawi, Zimbabwe, Zâmbia e Eswatini, reforçando o posicionamento de Moçambique como fornecedor estratégico de energia para a região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Ademais, destacou ainda o potencial de África para o desenvolvimento de energias renováveis, como a solar e a eólica, defendendo a criação de infra-estruturas que acelerem a transição energética. Sublinhou também a vantagem da localização geográfica de Moçambique, que dispõe de três grandes corredores logísticos, nomeadamente de Maputo (desenvolvido em parceria com a DP World), no sul do país; da Beira, na região centro; e de Nacala, no norte do país.
A participação do Presidente da República nesta reunião de alto nível, à margem da Semana de Sustentabilidade de Abu Dhabi reforça a estratégia do Governo moçambicano de atrair investimento estrangeiro, promover o desenvolvimento sustentável e posicionar Moçambique como um polo energético e logístico de referência na região austral de África.
PRESIDENTE DA REPÚBLICA RECEBE LÍDERES EMPRESARIAIS E ABRE PORTAS PARA NOVOS PROJECTOS DE INVESTIMENTO

O Presidente da República, recebeu, hoje, em audiência, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos (EAU), à margem da sua participação na Semana de Sustentabilidade de Abu Dhabi 2026, dois líderes do sector empresarial internacional, abrindo portas para investimentos estratégicos em Moçambique.
Entre os visitantes estiveram Tariq Ahmed Nizami, fundador e Presidente Executivo (CEO) do CEO Clubs Network, um dos maiores clubes de Presidentes Executivos do mundo, e Gaspar Lino, CEO e fundador da
Averi Finance, empresa de investimento e financiamento com foco em África.
De acordo com Tariq Nizami, durante o encontro com o Presidente Chapo foram discutidos investimentos em Moçambique em diferentes sectores, incluindo energia, aviação, agricultura, petróleo e gás, e tecnologia em projetos de cidades inteligentes, e ele afirmou que o grupo que representa, formado por pessoas de diversas partes do mundo, está disposto a investir no país.
O CEO destacou ainda que o investimento no sector de energia será prioritário. “Estamos fazendo um investimento de mais de 200 megawatt em projetos em Moçambique de diferentes empresas com as quais estamos trabalhando. E eu estou muito feliz que o Presidente tem uma visão muito boa e nos guiou em como devemos avançar”.
Questionado sobre o montante total, Nizami afirmou que o grupo planeja investir “mais de 300 milhões de dólares [norte-americanos] em negócios que estamos falando hoje em diferentes sectores, mas principalmente no sector de energia e aviação para melhorar a indústria aérea de Moçambique”.
O parceiro de Nizami, Malik Dzirlo, explicou à imprensa a abrangência das discussões, indicando que o clube pretende apoiar a agenda presidencial de forma estratégica.
“Nós discutimos as áreas de prioridade para Moçambique, que são, número um, estabilizar a economia quando se trata do sector energético, e a estabilidade energética é a chave, isso vai levar para outros sectores, como o turismo, saúde, infraestrutura, mineração, saúde e outras indústrias-chave”.
Dzirlo acrescentou que Moçambique oferece oportunidades únicas em diversos setores: “Moçambique tem um potencial incrível, cerca de dois mil quilômetros de costa, pode ser um destino incrível para o turismo, saúde e todas as outras coisas que outros países oferecem. Moçambique tem recursos naturais enormes e, o mais importante, recursos da população, onde planejamos investir em centros de dados energéticos e proporcionar treinamento para os jovens para serem competitivos na escala global”.
Por sua vez, Gaspar Lino, da Averi Finance, destacou que a audiência foi uma oportunidade para identificar futuras parcerias e investimentos.
“Não se falou de projetos concretos, falou-se das nossas capacidades de investimento, as áreas onde nós temos feito investimento, o nosso histórico, onde já fizemos mais de 20 mil milhões de soluções de financiamento e investimento em vários países em África, e identificámos uma oportunidade de viajar em breve, até ao final deste mês, a Moçambique, para trabalhar com a equipa de governo”.
Lino enfatizou que o país apresenta grande potencial para mobilizar capital e gerar retorno social: “O Sr. Presidente mostrou abertura nas várias áreas, falou sobre a economia do país, é um país onde nós, até à data, ainda não tivemos nenhum envolvimento no passado e, portanto, sua Excelência, o Sr. Presidente, o que mostrou foi a necessidade de empresas como a nossa vir para o país para trazer soluções de investimento e soluções financeiras”.
O CEO detalhou ainda o portfólio da Averi Finance no continente africano, incluindo energia renovável, logística e infraestrutura. “Nós já somos investidores em África, em várias áreas, estamos no sector do oil
and gas, estamos no sector da logística, somos accionistas do maior projecto de energia renovável em África, concretamente na África do Sul, com a produção de 3.5 gigawatts de energia, através de energia solar e eólica, investimos muito em infraestrutura, em linhas de transmissão. Neste momento temos uma carteira de mais de quatro mil milhões de dólares em projetos de investimento privado, onde nós somos os investidores e acionistas dos projetos”.
Com estes encontros, Moçambique reforça a sua posição como destino estratégico para investimento internacional, atraindo capital privado de grandes players globais e africanos, com enfoque na energia, infra-estrutura, tecnologia e turismo, consolidando a visão de desenvolvimento económico e diversificação da economia defendida pelo Presidente Daniel Chapo.
Fonte: O País






