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Dólar Regista Pior Semana Desde Junho e Arrasta Iene para Zona de Elevada Volatilidade

Incerteza geopolítica e sinais erráticos da política externa dos EUA enfraquecem o dólar, enquanto a cautela do Banco do Japão mantém o iene sob pressão junto ao limiar de intervenção.

O dólar norte-americano atravessa a sua pior semana desde Junho de 2025, pressionado por incertezas geopolíticas e sinais contraditórios da política externa dos Estados Unidos, num movimento que está a reconfigurar o equilíbrio do mercado cambial global e a expor fragilidades noutras moedas-chave, como o iene japonês.

Dólar perde fôlego num contexto de incerteza política

O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana face a um cabaz de seis divisas, recuou cerca de 1% ao longo da semana, reflectindo a crescente aversão ao risco dos investidores perante episódios de instabilidade geopolítica e alterações abruptas de posicionamento por parte da administração dos Estados Unidos.

Declarações do Presidente Donald Trump relacionadas com a Gronelândia, seguidas de recuos e reformulações, contribuíram para um ambiente de incerteza que penalizou os activos denominados em dólares, levando os investidores a reduzir exposição à moeda norte-americana.

Analistas sublinham que, embora os riscos imediatos tenham sido parcialmente mitigados, persistem dúvidas quanto à previsibilidade da política externa dos EUA e às implicações para o estatuto do dólar como principal moeda de reserva internacional.

Euro e libra beneficiam da fraqueza do dólar

A perda de fôlego do dólar permitiu ao euro manter-se próximo de máximos de três semanas, em torno de 1,17 dólares, enquanto a libra esterlina negociou perto de máximos de duas semanas. Este movimento reflecte uma redistribuição cautelosa de posições, num mercado que começa a questionar a resiliência do dólar em contextos de elevada volatilidade política.

Iene permanece sob pressão após decisão do Banco do Japão

Neste ambiente de dólar mais fraco, o iene japonês não conseguiu capitalizar de forma sustentada, mantendo-se volátil após o Bank of Japan ter decidido manter inalteradas as taxas de juro, conforme antecipado pelo mercado.

Apesar de o banco central ter revisto em alta as suas projecções económicas e de inflação, a postura cautelosa reforçou a percepção de que a normalização monetária continuará gradual, deixando o iene vulnerável. A moeda japonesa negociou em torno dos 158,7 por dólar, perigosamente próxima do nível de 160, patamar que no passado desencadeou alertas verbais e intervenções cambiais.

Expectativas recaem sobre o discurso do governador

A atenção dos investidores concentra-se agora nas declarações do governador Kazuo Ueda, que poderão oferecer pistas sobre o calendário de futuras subidas de juros e o grau de inclinação restritiva da política monetária japonesa.

Embora o Banco do Japão tenha elevado as taxas para máximos de 30 anos em Dezembro, muitos investidores consideram que o ritmo de ajustamento permanece insuficiente para contrariar a fraqueza estrutural do iene, sobretudo num contexto de pressões inflacionistas e preocupações fiscais crescentes.

Fragilidade fiscal agrava pressão sobre o iene

A moeda japonesa tem sido penalizada desde Outubro, período marcado por sinais de maior expansionismo fiscal e instabilidade política interna. A combinação de promessas de cortes de impostos, eleições antecipadas e aumento dos rendimentos da dívida pública japonesa tem alimentado a volatilidade nos mercados obrigacionista e cambial.

Sem uma trajectória mais clara de consolidação fiscal e de normalização monetária, analistas alertam que o iene continuará exposto a choques externos e a movimentos especulativos.

Mercado cambial em modo defensivo

O actual enquadramento revela um mercado cambial cada vez mais sensível a factores políticos e geopolíticos, onde a previsibilidade das políticas económicas assume um papel central na formação de expectativas. Com o dólar sob pressão e o iene fragilizado, a volatilidade deverá manter-se elevada, num contexto em que os investidores privilegiam prudência e flexibilidade na gestão cambial.

Fonte: O Económico

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