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Governo e Fundação Tzu Chi Apostam em Modelo Agrícola Sustentável para Reforçar Segurança Alimentar

Parceria com o MAAP privilegia produção agrícola, alimentação escolar e auto-sustentabilidade económica como resposta estrutural aos desafios da vulnerabilidade rural em Moçambique.

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Num contexto marcado por choques climáticos recorrentes, pressão sobre a produção agrícola e desafios persistentes de segurança alimentar, o Governo e parceiros humanitários procuram soluções que transcendam a resposta de emergência. A audiência entre o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, e a Fundação de Caridade Tzu Chi surge como um sinal claro de aposta num modelo integrado, onde produção agrícola, inclusão social e sustentabilidade económica convergem.

A reunião decorreu no dia 20 de Janeiro, em Maputo, na sede do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, num momento em que o país enfrenta o duplo desafio de responder às necessidades imediatas de comunidades vulneráveis e de estruturar soluções de médio e longo prazo para a segurança alimentar.

Durante a audiência, a fundadora da Fundação Tzu Chi Moçambique, Denise Tsai, apresentou o modelo de intervenção da organização, centrado na produção agrícola sustentável e no apoio humanitário, com destaque para a implementação de farmas agrícolas comunitárias. Entre estas, sobressai a unidade de Micuse, no distrito de Nhamatanda, integrada em programas de segurança alimentar que incluem a provisão de refeições quentes a escolas e unidades hospitalares.

Mais do que uma resposta pontual, a Fundação propõe um modelo concebido para ser replicável e adaptável às realidades locais. A iniciativa combina desenvolvimento económico, inclusão social e intervenção humanitária, procurando reduzir, no médio prazo, a dependência de assistência externa através da criação de sistemas produtivos resilientes.

A ligação directa entre produção local e alimentação escolar assume particular relevância num país onde a insegurança alimentar continua a influenciar a permanência das crianças no sistema de ensino. Ao garantir refeições quentes a partir de produção agrícola local, o modelo gera impactos económicos e sociais interligados, reforçando simultaneamente a nutrição, a educação e a economia rural.

No plano económico, o projecto adopta uma lógica híbrida, combinando produção comercial e função social. O caju surge como cultura prioritária orientada para o mercado, enquanto o milho é canalizado sobretudo para o suporte ao programa de alimentação escolar. Esta abordagem permite que a produção funcione como fonte de receita, instrumento de segurança alimentar e mecanismo de apoio humanitário.

A farma de Micuse dispõe de uma área total de cerca de 200 hectares, dos quais aproximadamente 100 hectares já estão disponíveis para exploração. Actualmente, 48 hectares encontram-se em produção, estando prevista, ainda este ano, a expansão para mais 50 hectares. A escala e o potencial de crescimento do projecto evidenciam a viabilidade económica do modelo quando combinado com assistência técnica adequada.

Do lado do Estado, o ministro Roberto Mito Albino manifestou apoio à iniciativa, assegurando que o MAAP, através do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique, irá prestar assistência técnica e formação de formadores, com vista a reforçar a produtividade e a sustentabilidade do modelo. O governante sublinhou ainda a importância de envolver jovens moçambicanos formados nas áreas agrárias, valorizando o capital humano nacional e criando oportunidades económicas no meio rural.

Na perspectiva de expansão, o Executivo defende que a replicação do modelo privilegie o uso de energias renováveis, em particular a energia solar, como forma de reduzir custos operacionais e reforçar a sustentabilidade ambiental. Foi igualmente incentivada a diversificação produtiva, incluindo o processamento de produtos hortícolas, o desenvolvimento de pequenas agro-indústrias e a integração da produção de proteína animal.

Com a assinatura iminente de um Memorando de Entendimento entre o MAAP e a Fundação Tzu Chi Moçambique, a parceria entra numa fase de formalização que poderá transformar uma iniciativa humanitária num modelo estruturante de desenvolvimento rural. Num país onde a segurança alimentar permanece no centro da agenda económica e social, a convergência entre Estado, sociedade civil e produção sustentável afirma-se como um dos caminhos mais promissores para a resiliência de longo prazo.

Fonte: O Económico

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