Mega-projecto liderado por Equinor e Shell poderá arrancar produção dentro de oito anos e reforçar o posicionamento da África Oriental como novo pólo exportador de gás natural.
A Tanzânia espera assinar antes de Junho o acordo para o desenvolvimento do seu projecto de gás natural liquefeito (LNG), avaliado em cerca de 42 mil milhões de dólares, um dos maiores investimentos energéticos alguma vez planeados em África. Segundo o Governo tanzaniano, as negociações comerciais estão concluídas, faltando apenas a finalização do enquadramento legal que permitirá destravar o projecto.
O projecto LNG, liderado pelas multinacionais Equinor e Shell, envolve ainda parceiros como Exxon Mobil, Pavilion Energy, Medco Energi e a empresa estatal Tanzania Petroleum Development Corporation. Em conjunto, o consórcio pretende desenvolver reservas estimadas em cerca de 47,13 biliões de pés cúbicos de gás natural.
De acordo com o ministro de Estado para o Planeamento e Investimento da Tanzânia, Kitila Mkumbo, as discussões comerciais foram concluídas, encontrando-se o processo numa fase final de harmonização do quadro legal. A necessidade de um regime jurídico específico decorre da dimensão do investimento, considerado o maior da história do país.
A produção está prevista para arrancar dentro de aproximadamente oito anos, reflectindo a complexidade técnica e financeira do projecto. Ainda assim, o Governo tanzaniano sublinha o impacto económico esperado, com a criação estimada de mais de 100 mil empregos directos e indirectos ao longo do ciclo de desenvolvimento e operação.
O projecto esteve paralisado após divergências em torno de alterações propostas pelo Governo a um acordo financeiro alcançado em 2023, mas o Executivo afirma agora ter alcançado um entendimento com os investidores. A retoma do processo ocorre num contexto em que vários países produtores procuram acelerar investimentos em gás natural, aproveitando a procura crescente na Ásia e a reconfiguração dos fluxos energéticos globais.
Em termos regionais, o avanço do LNG tanzaniano reforça a narrativa da África Oriental como potencial novo pólo exportador de gás natural. Em articulação com os projectos em curso em Moçambique, a região poderá ganhar maior relevância nos mercados internacionais de energia, sobretudo junto de compradores asiáticos em busca de diversificação de fornecimento.
O anúncio surge, contudo, num momento de pressão sobre as finanças públicas da Tanzânia. O Governo confirmou ter instruído o banco central a alienar parte das reservas de ouro para financiar projectos de infra-estruturas, num contexto em que parceiros internacionais suspenderam entre dois e três mil milhões de dólares em apoio financeiro após a crise política associada às últimas eleições.
Apesar deste enquadramento, o Executivo tanzaniano aposta no projecto LNG como âncora de investimento estruturante, capaz de dinamizar o crescimento económico, atrair capital estrangeiro e reforçar a posição do país na geopolítica energética regional. A assinatura do acordo antes de Junho será, assim, um teste decisivo à capacidade do país de transformar potencial energético em desenvolvimento económico efectivo.
Fonte: O Económico






