EUA anunciam assistência de emergência de um milhão de dólares, enquanto União Europeia e UNICEF activam ponte aérea humanitária para apoiar populações afectadas.
A resposta internacional às cheias que afectam Moçambique está a ganhar maior tracção, com novos apoios financeiros e logísticos destinados a mitigar o impacto humanitário da actual época chuvosa. Os Estados Unidos anunciaram um financiamento de emergência de um milhão de dólares, enquanto a União Europeia, em parceria com o UNICEF, activou uma ponte aérea humanitária para fazer chegar suprimentos vitais às zonas mais afectadas do país.
O apoio norte-americano, anunciado pelo Departamento de Estado, destina-se a financiar a provisão de alimentos, água potável, saneamento e serviços de higiene às populações mais vulneráveis, num contexto em que as cheias já provocaram mais de uma centena de mortos e afectaram milhares de famílias em várias regiões do país. As autoridades norte-americanas sublinham que a assistência está a ser coordenada com o Governo de Moçambique e parceiros humanitários no terreno.
Em paralelo, a chegada a Maputo de um avião cargueiro Boeing 747, financiado pela União Europeia através do mecanismo ECHO, marcou o início de uma ponte aérea humanitária internacional. A aeronave transportou 88 toneladas métricas de suprimentos essenciais, avaliados em cerca de 552 mil dólares, incluindo materiais de saúde, água, saneamento e higiene, nutrição, educação e protecção da criança, bem como tendas de alto desempenho para serviços temporários nas zonas afectadas.
Segundo dados do Instituto Nacional de Gestão de Desastres, cerca de 650 mil pessoas foram afectadas pelas chuvas intensas registadas entre Dezembro de 2025 e meados de Janeiro de 2026, com impactos significativos sobre habitação, infra-estruturas sociais, agricultura e redes viárias. Escolas, unidades sanitárias e milhares de casas sofreram danos, agravando a pressão sobre os serviços públicos e os mecanismos de resposta do Estado.
Do ponto de vista institucional, a mobilização de parceiros internacionais surge como um elemento crítico para complementar os recursos nacionais e acelerar a resposta humanitária, sobretudo numa fase em que as necessidades continuam a aumentar. As autoridades moçambicanas têm apelado à solidariedade internacional, defendendo uma actuação coordenada que permita proteger vidas, preservar meios de subsistência e evitar uma deterioração adicional das condições sociais e económicas nas regiões afectadas.
Para além da dimensão humanitária imediata, a actual crise volta a colocar em evidência os desafios estruturais associados à vulnerabilidade climática do país. A frequência e a intensidade dos eventos extremos estão a gerar custos económicos crescentes, pressionando as finanças públicas e exigindo uma articulação mais estreita entre resposta de emergência, planeamento territorial e estratégias de adaptação às alterações climáticas.
Num contexto de emergência em rápida evolução, a continuidade e a previsibilidade do apoio internacional serão determinantes para garantir uma resposta eficaz no curto prazo e apoiar a recuperação das comunidades afectadas nos meses seguintes.
Fonte: O Económico






