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Petróleo Sobe Mais de 1,5% Com Temores de Ataque dos EUA ao Irão e Risco de Choque na Oferta

Escalada das tensões geopolíticas no Médio Oriente reforça prémio de risco no mercado petrolífero, com Brent e WTI a acumularem ganhos de cerca de 5% desde o início da semana

Os preços do petróleo registaram uma subida superior a 1,5% esta quinta-feira, prolongando a trajectória ascendente pelo terceiro dia consecutivo, num contexto de crescente tensão geopolítica no Médio Oriente, alimentada por receios de uma eventual acção militar dos Estados Unidos contra o Irão, um dos principais produtores mundiais de crude.

Geopolítica volta a ditar o rumo do mercado petrolífero

De acordo com dados de mercado, os futuros do Brent avançaram 99 cêntimos, ou 1,5%, para 69,39 dólares por barril, enquanto o WTI norte-americano subiu 1,7%, para 64,27 dólares por barril. Ambos os contratos acumulam ganhos de cerca de 5% desde segunda-feira, atingindo os níveis mais elevados desde 29 de Setembro.

A escalada dos preços surge num momento em que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a pressão sobre o Irão para pôr termo ao seu programa nuclear, admitindo publicamente a possibilidade de ataques militares. Em paralelo, um grupo naval norte-americano foi destacado para a região, reforçando a percepção de risco nos mercados energéticos.

Irão no centro das preocupações sobre a oferta

O Irão é actualmente o quarto maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), com uma produção estimada em 3,2 milhões de barris por dia. Qualquer perturbação relevante nas exportações iranianas poderá ter impacto imediato no equilíbrio do mercado, num contexto em que a margem de manobra da oferta global permanece limitada.

Segundo analistas, a simples possibilidade de um conflito directo é suficiente para incorporar um prémio de risco significativo nos preços do crude, independentemente de alterações efectivas nos fluxos físicos de fornecimento.

Fed mantém taxas, mas petróleo mostra resiliência

Apesar de a Reserva Federal dos EUA ter mantido as taxas de juro inalteradas, e de uma ligeira recuperação do dólar, os preços do petróleo mantiveram-se firmes. Para Phillip Nova, a analista sénior Priyanka Sachdeva sublinhou que “as tensões crescentes entre os EUA e o Irão continuam a sustentar a narrativa de risco sobre a oferta”, sobrepondo-se aos factores monetários.

Stocks dos EUA recuam contra as expectativas

A trajectória de alta foi igualmente apoiada por dados inesperados sobre os inventários norte-americanos. As reservas de crude dos Estados Unidos caíram 2,3 milhões de barris, para 423,8 milhões de barris, na semana terminada a 23 de Janeiro, segundo a Energy Information Administration.

Este resultado contrariou as expectativas dos analistas, que apontavam para um aumento de cerca de 1,8 milhões de barris, reduzindo temporariamente os receios de excesso de oferta no maior consumidor mundial de petróleo.

Prémio geopolítico pode empurrar Brent para novos máximos

Alguns analistas antecipam que o actual contexto poderá sustentar preços mais elevados nos próximos meses. Para o Citigroup, o risco de um ataque ao Irão já adicionou um prémio geopolítico estimado entre 3 e 4 dólares por barril, podendo, em caso de nova escalada, empurrar o Brent para níveis próximos de 72 dólares por barril.

Petróleo reage mais à geopolítica do que à política monetária

A recente valorização do petróleo ilustra a elevada sensibilidade dos mercados energéticos ao risco geopolítico. Mesmo num contexto de política monetária restritiva e dólar relativamente firme, a percepção de ameaça à oferta continua a prevalecer. Para economias importadoras de energia, este cenário traduz-se em maior pressão inflacionista e riscos acrescidos para as balanças externas; para países produtores, reabre-se uma janela de oportunidade fiscal, embora acompanhada de maior volatilidade.

A recente valorização do petróleo ilustra a elevada sensibilidade dos mercados energéticos ao risco geopolítico. Mesmo num contexto de política monetária restritiva e dólar relativamente firme, a percepção de ameaça à oferta continua a prevalecer. Para economias importadoras de energia, este cenário traduz-se em maior pressão inflacionista e riscos acrescidos para as balanças externas; para países produtores, reabre-se uma janela de oportunidade fiscal, embora acompanhada de maior volatilidade.

Fonte: O Económico

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