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Friday, January 30, 2026
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Confrontos geram mais deslocados internos apesar de alta no retorno de sírios

Mais de 1,4 milhão de sírios regressaram ao país desde janeiro de 2025, sobretudo a partir da Turquia, do Líbano e da Jordânia, mas também do Iraque e do Egito. Os dados são da Agência das Nações Unidas para os Refugiados, Acnur. 

De acordo com as informações, muitos afirmam que as razões que os levaram a fugir já não existem e desejam reunir-se com as suas famílias. 

Dois milhões de deslocados

Em entrevista à ONU News, a porta-voz do Acnur na Síria, Céline Schmitt, afirmou que o total também inclui também cerca de 2 milhões de deslocados internos, sobretudo do norte e nordeste do país.

Apesar da tendência de retorno, nas últimas semanas, registaram-se confrontos em Alepo, em zonas como Sheikh Maqsood e Ashrafieh. Mais de 100 mil pessoas foram obrigadas a fugir. Segundo o Acnur, cerca de 80% dessas pessoas já regressaram às suas casas 

Os confrontos no nordeste da Síria provocaram também novas deslocações para leste do país, gerando dezenas de milhares de deslocados. Algumas destas pessoas procuraram refúgio junto de famílias de acolhimento, enquanto outras se deslocaram para campos de deslocados. 

O apoio do Acnur centrou-se na assistência de emergência para responder às necessidades básicas das populações afetadas, num contexto de inverno rigoroso.

Assistência humanitária cada vez mais urgente

O Acnur apoia os refugiados que decidem regressar à Síria em áreas prioritárias, nomeadamente através de apoio ao transporte e da atribuição de subsídios em dinheiro. 

A proteção continua a ser uma das principais prioridades da agência, que dispõe de 79 centros comunitários em funcionamento em todo o país.

Nesses centros, é prestado apoio no acesso à documentação civil, tanto a retornados como a sírios que nunca saíram do país. Muitas pessoas não dispõem de documentos de identidade, certidões de nascimento dos filhos ou certidões de casamento, essenciais para o acesso a serviços básicos. 

Em coordenação com as autoridades, o Acnur presta apoio para a reabilitação de conservatórias do registo civil para acelerar estes processos.

Criança no campo de Al-Hol, no nordeste da Síria.

© Unicef/Alessio Romenzi

Criança no campo de Al-Hol, no nordeste da Síria.

Prevenção da violência baseada no gênero

O apoio à saúde mental é igualmente considerado fundamental. Segundo Céline Schmitt, são organizadas sessões de prevenção da violência baseada no género, atividades de proteção infantil e iniciativas de apoio às comunidades locais.

O alojamento é outra necessidade central. A agência ajuda os retornados a reparar casas danificadas, de acordo com o financiamento disponível. 

O acesso ao emprego é também uma preocupação recorrente, sendo disponibilizado apoio financeiro para a criação de pequenos negócios como forma de garantir meios de subsistência.

Situação no campo de Al-Hol

A porta-voz confirmou que, numa visita recente ao campo de Al-Hol, as forças do governo sírio asseguraram o apoio necessário para permitir a continuidade da assistência humanitária. 

Durante vários dias, o fornecimento e transporte de água, bem como a distribuição de pão, estiveram suspensos, tendo sido posteriormente restabelecidos, um passo considerado essencial face às condições meteorológicas adversas.

Os cuidados de saúde prestados por outros atores humanitários, como a Cruz Vermelha, também foram retomados no campo.

A população identificou o acesso a serviços básicos como a principal prioridade, tendo em conta que a maioria dos residentes são mulheres e crianças. Em segundo lugar, foi manifestada a necessidade de encontrar soluções duradouras, um processo que o Acnur está a desenvolver em diálogo com o governo sírio.

Trabalho em conjunto

O Acnur tem colaborado com outros parceiros humanitários, incluindo organizações não governamentais locais e as autoridades sírias.

A meta é apoiar o regresso das pessoas às suas áreas de origem e a sua reintegração, num contexto em que as necessidades humanitárias permanecem elevadas.

Fonte: ONU

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