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Friday, February 6, 2026
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África do Sul Avança para Acordo Comercial com a China em Resposta às Tarifas dos EUA

Resumo

A África do Sul assinou um acordo-quadro de parceria económica com a China, visando fortalecer as relações comerciais e potencialmente garantir acesso isento de tarifas ao mercado chinês para as exportações sul-africanas, numa resposta à pressão comercial dos EUA. Este acordo, parte de uma estratégia mais ampla de Pequim para reforçar as relações económicas com África, poderá abrir oportunidades para a indústria sul-africana, especialmente nos setores da mineração e agricultura. A China também demonstrou interesse em investir na indústria do aço na África do Sul, sinalizando uma cooperação mais profunda. Este movimento reflete uma tendência global de reconfiguração das alianças comerciais, com economias emergentes a procurar diversificar parceiros estratégicos e reduzir a exposição a medidas protecionistas.


A África do Sul deu um passo decisivo para aprofundar as relações comerciais com a China, ao assinar um acordo-quadro de parceria económica que poderá abrir caminho ao acesso isento de tarifas para exportações sul-africanas para o mercado chinês. A iniciativa surge num momento de fricção comercial com os Estados Unidos, depois da imposição de tarifas punitivas sobre produtos sul-africanos, colocando Pequim no centro da estratégia de diversificação de mercados de Pretória.

Acordo-quadro como resposta à pressão comercial dos EUA

O acordo-quadro de parceria económica para “prosperidade partilhada” foi assinado em Pequim pelo ministro do Comércio, Indústria e Concorrência da África do Sul, Parks Tau, e pelo seu homólogo chinês, Wang Wentao. Segundo o Governo sul-africano, o entendimento constitui um passo preliminar para um acordo mais operacional — designado “Early Harvest Agreement” — previsto para estar concluído até ao final de Março de 2026.

A iniciativa ganha relevo num contexto em que os EUA, segundo maior parceiro comercial bilateral da África do Sul depois da China, impuseram em Agosto uma tarifa de 30% sobre exportações sul-africanas, a mais elevada aplicada na África Subsaariana.

China reforça estratégia de abertura comercial a África

A assinatura do acordo enquadra-se numa estratégia mais ampla de Pequim de reforço das relações económicas com o continente africano. Em Junho do ano passado, a China anunciou a eliminação de tarifas para os 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, numa altura em que Washington intensificava o recurso a medidas proteccionistas.

Nos últimos meses, outros países africanos, como o Quénia, anunciaram entendimentos preliminares semelhantes com a China, sinalizando uma aceleração da diplomacia económica sino-africana num cenário global marcado por fragmentação comercial.

Oportunidades e riscos para a indústria sul-africana

Para Pretória, o aprofundamento das relações comerciais com a China é visto como uma oportunidade para ampliar as exportações, em particular nos sectores da mineração e da agricultura. Contudo, o Governo sul-africano reconhece os riscos associados a uma abertura excessiva.

“Vamos negociar de forma a criar salvaguardas que protejam a capacidade industrial da África do Sul”, afirmou Parks Tau, sublinhando a preocupação em evitar impactos negativos sobre a produção local num contexto de assimetrias entre as duas economias.

Investimento chinês no radar, com foco no aço

Para além do comércio, Pequim manifestou interesse em reforçar o investimento directo na África do Sul, com destaque para o sector siderúrgico. A China convidou oficialmente a África do Sul para um evento de promoção de oportunidades de investimento na indústria do aço, num sinal de que a cooperação poderá ir além do acesso a mercados e abranger cadeias de valor industriais.

Segundo Tau, o objectivo passa por atrair mais investimento chinês e, em paralelo, posicionar produtos sul-africanos no vasto mercado consumidor chinês.

Reconfiguração das alianças comerciais globais

O movimento da África do Sul reflecte uma tendência mais ampla de reconfiguração das alianças comerciais globais, à medida que economias emergentes procuram reduzir a exposição a choques proteccionistas e diversificar parceiros estratégicos.

Num mundo cada vez mais fragmentado do ponto de vista comercial, o acordo com a China poderá oferecer a Pretória uma almofada estratégica, ainda que o seu impacto final dependa das condições concretas do acesso ao mercado e das salvaguardas industriais que venham a ser negociadas.

Fonte: O Económico

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