Resumo
A Ministra das Finanças de Moçambique reuniu-se com o Diretor do Banco Mundial para a África Oriental e Austral, discutindo a cooperação no âmbito do novo Enquadramento de Parceria com o País 2026–2031. Projetos macroeconómicos foram apresentados, com destaque para um crescimento do PIB de 2,8% e uma inflação de 3,7%, porém as recentes inundações no sul do país afetaram as projeções, causando danos nas infraestruturas e na produção agrícola. A Ministra salientou a necessidade de reavaliar os indicadores devido aos impactos das cheias, que interromperam a ligação rodoviária entre o norte e o sul, afetando o abastecimento de mercados e aumentando a pressão sobre os preços. O setor agrícola foi um dos mais prejudicados, com perdas significativas na capacidade produtiva e de rendimento das famílias. O Governo comprometeu-se a manter a colaboração com o Banco Mundial para fortalecer a resiliência económica e climática, promover o crescimento inclusivo e acelerar projetos de desenvolvimento sustentável.
Durante a reunião, Carla Loveira apresentou as projecções macroeconómicas constantes no Plano Económico e Social e Orçamento do Estado para 2026. As projecções iniciais apontavam para um crescimento do Produto Interno Bruto de 2,8 por cento e uma inflação média anual de 3,7 por cento, num contexto de recuperação gradual da economia.
A Governante informou que as recentes inundações no sul de Moçambique introduziram novos riscos às projecções macroeconómicas, exigindo uma reavaliação técnica dos principais indicadores. As cheias provocaram danos significativos nas infra-estruturas, afectaram a produção agrícola e interromperam a ligação rodoviária entre o norte e o sul do país.A interrupção da circulação rodoviária criou constrangimentos logísticos relevantes, com impacto directo no abastecimento dos mercados do sul e pressão adicional sobre os preços de bens alimentares e produtos básicos. Este contexto poderá resultar num aumento temporário da inflação acima da meta inicialmente projectada.
O sector agrário foi identificado como um dos mais afectados pelas inundações. Este sector representa cerca de 23 por cento do PIB nacional e emprega mais de 70 por cento da população. A destruição de culturas alimentares, perdas de efectivos pecuários e danos em sistemas de irrigação reduziram a capacidade produtiva e de geração de rendimento das famílias.
No domínio fiscal, a Ministra destacou que o PESOE 2026 previa um esforço de consolidação fiscal gradual, com a redução do défice orçamental para cerca de 7 por cento do PIB. As despesas emergenciais associadas à resposta humanitária e à reabilitação de infra-estruturas, bem como a redução de receitas decorrente da desaceleração económica, criam pressões adicionais sobre o equilíbrio orçamental.
Durante o encontro, foi reiterado o alinhamento entre as prioridades nacionais e os quatro pilares do novo Enquadramento de Parceria com o País, nomeadamente a estabilidade macro-fiscal, o reforço da força de trabalho, a melhoria do acesso à energia e a promoção do emprego no sector privado, com enfoque no agro-negócio e no turismo.
Loveira destacou a importância de manter flexibilidade na implementação do portfólio de projectos, de modo a responder a prioridades emergentes, como a recuperação pós-inundações e o reforço da resiliência climática.
As partes abordaram igualmente a realização da Country Portfolio Performance Review, que irá avaliar o desempenho dos projectos em execução no país, actualmente estimados em cerca de 5,6 mil milhões de dólares norte-americanos, distribuídos por vários sectores estratégicos.
A Ministério reafirmou o compromisso do Governo de Moçambique em continuar a trabalhar de forma estreita com o Banco Mundial, visando reforçar a resiliência económica e climática, promover o crescimento inclusivo e acelerar a implementação de projectos estruturantes para o desenvolvimento sustentável do país.
Fonte: MEF





