Resumo
O secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou a retoma das conversações entre o Irão e os EUA, num contexto de crescente tensão devido ao programa nuclear iraniano e ameaças de um possível ataque dos EUA. As negociações, lideradas por Steve Witkoff e Abbas Araghchi, representam o primeiro contacto deste tipo desde junho, visando reduzir as tensões regionais. Guterres agradeceu a Omã por acolher as conversações e defendeu a desescalada e a resolução pacífica de disputas. Paralelamente, o alto comissariado da ONU para os Direitos Humanos pediu uma investigação sobre as alegadas mortes e violações durante os protestos no Irão, que começaram devido a problemas económicos e se transformaram em confrontos nacionais, com mais de 2,9 mil mortes confirmadas.
Em nota, o chefe da ONU descreve um contexto de crescente tensão associada ao programa nuclear iraniano e ameaças de um possível ataque militar norte-americano.
Negociações que evitem agravamento da crise
De acordo com agências de notícias, delegações lideradas pelo enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, mantiveram conversações indiretas em Omã.
As negociações representam o primeiro contacto deste tipo desde junho do ano passado, quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra instalações nucleares iranianas.
O vice-porta-voz do secretário-geral, Farhan Haq, revelou que Guterres manifestou esperança de que as conversações “ajudem a reduzir as tensões regionais e a prevenir uma crise mais ampla”.
Reforço militar dos EUA junto à costa iraniana
O secretário-geral agradeceu ainda aos países da região que contribuíram para tornar possível a realização dos contatos diplomáticos, com destaque para Omã, que acolheu as conversações.
A nota enviada aos correspondentes sublinhou que Guterres tem defendido de forma consistente a desescalada e a resolução pacífica de disputas, em conformidade com a Carta das Nações Unidas.
A recomendação da ONU é que “todas as preocupações podem e devem ser abordadas através de diálogo pacífico”.
As conversações acontecem numa altura em que os Estados Unidos reforçaram a sua presença militar na região, incluindo a mobilização de forças como um porta-aviões de propulsão nuclear na costa iraniana.
O encontro em Omã ocorre também após semanas de escalada verbal e política relacionada com o programa nuclear iraniano.
Protestos recentes no Irã
Também nesta sexta-feira, o alto comissariado da ONU para os Direitos Humanos apelou à abertura de uma investigação sobre alegadas mortes e outras violações ocorridas durante os recentes protestos no Irã.
As manifestações começaram no final de dezembro, após comerciantes em Teerã saírem às ruas para expressar frustração com o colapso da moeda nacional, a inflação crescente e a piora das condições de vida.
Os protestos evoluíram para uma onda de contestação nacional, seguida por uma repressão descrita como ampla e mortal.
2,9 mil mortes confirmadas
Segundo o porta-voz do escritório, Thameen Al-Kheetan, as autoridades iranianas divulgaram uma lista com mais de 2,9 mil confirmados como mortos, embora “outras fontes sugiram que o número total seja muito mais elevado”.
O porta-voz acrescentou que o processo completo de verificação permanece “muito difícil”, devido a fatores como o corte de comunicações e o encerramento do acesso à internet.
O Escritório da ONU de Direitos Humanos defendeu que devem ser realizadas “investigações independentes, imparciais e transparentes” sobre todas as alegações de mortes e violações graves de direitos humanos.
Fonte: ONU






