Resumo
O Zimbabwe estabeleceu um programa de acompanhamento técnico com o Fundo Monetário Internacional (FMI) durante dez meses, como preparação para uma possível reaproximação e acesso a financiamento. Este programa, que não envolve desembolso financeiro, visa consolidar reformas económicas, restaurar a credibilidade e preparar o terreno para futuros apoios. O país enfrenta desafios históricos de instabilidade económica, mas tem mostrado sinais de estabilização, com a desaceleração da inflação e acumulação de reservas em moeda estrangeira. No entanto, o acesso a novo financiamento continua condicionado pela resolução de atrasados com credores internacionais. O acordo com o FMI é visto como um passo positivo para os mercados e parceiros internacionais, mas a eficácia dependerá da disciplina fiscal e compromisso político das autoridades zimbabueanas.
O Zimbabwe alcançou um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para a implementação de um programa monitorado por técnicos da instituição, um passo considerado crucial para restaurar a credibilidade das políticas económicas do país e abrir caminho a um eventual programa de financiamento. A informação foi avançada pela Reuters.
Programa como etapa preliminar de reengajamento
Em declarações à Reuters, George Guvamatanga, alto funcionário do Ministério das Finanças do Zimbabué, indicou que as autoridades pretendem iniciar o programa monitorado já no próximo mês, caso os procedimentos técnicos sejam concluídos atempadamente. Segundo o responsável, o foco central do acordo passa pela consolidação das reformas em curso nas políticas fiscal e monetária.
Os chamados staff-monitored programmes constituem acordos informais entre um país e o FMI, sem desembolso financeiro, mas que funcionam como instrumentos de avaliação e acompanhamento das políticas económicas. Embora não impliquem endosso formal do Conselho Executivo do Fundo, são frequentemente utilizados para restaurar a confiança e preparar o terreno para futuros programas de apoio.
Credibilidade como activo estratégico
De acordo com o chefe da missão do FMI para o Zimbabué, Wojciech Maliszewski, o programa visa estabelecer um “historial credível” que sustente os esforços de reengajamento do país com a comunidade financeira internacional. O responsável sublinhou que o SMP complementa a estratégia mais ampla das autoridades para a regularização de atrasados e reestruturação da dívida externa, condição indispensável para o acesso a financiamento concessionário.
Passado marcado por instabilidade
O Zimbabwecarrega um histórico prolongado de hiperinflação, volatilidade cambial e forte dolarização informal da economia. O país já recorreu anteriormente a programas monitorados pelo FMI, sendo que o último, lançado em Maio de 2019, acabou por ser abandonado após o incumprimento das recomendações acordadas.
Ainda assim, o Governo tem vindo a destacar sinais recentes de estabilização macroeconómica. Em Janeiro, o Ministério das Finanças anunciou que a inflação anual em moeda local desacelerou para 4,1%, enquanto a inflação em dólares norte-americanos recuou para 1% em termos homólogos.
Reservas e estabilidade monetária
Dados oficiais indicam que, até Dezembro de 2025, o Estado acumulou cerca de 1,2 mil milhões de dólares em reservas de activos externos para suportar o Zimbabwe Gold (ZiG), a moeda introduzida em 2024 com o objectivo de restaurar a estabilidade monetária e reduzir a dependência do dólar.
Apesar destes progressos, analistas sublinham que o acesso a novo financiamento internacional permanece condicionado à resolução dos atrasados acumulados junto de credores multilaterais e bilaterais, um obstáculo estrutural que continua a limitar a margem de manobra económica do país.
Sinal aos mercados e parceiros
O acordo com o FMI é interpretado como um sinal positivo para os mercados e parceiros internacionais, numa altura em que várias economias africanas procuram reancorar as suas políticas macroeconómicas em quadros de credibilidade externa. No entanto, a eficácia do programa dependerá da capacidade das autoridades zimbabueanas em manter disciplina fiscal, coerência monetária e compromisso político ao longo do período de monitoria.
Fonte: O Económico






