Resumo
Os preços do petróleo desceram ligeiramente devido a preocupações com a oferta, relacionadas com as tensões entre os EUA e o Irão no Estreito de Ormuz. Os futuros do Brent caíram para 68,85 dólares por barril e o WTI para 64,15 dólares, após ganhos na segunda-feira. O Departamento dos Transportes dos EUA emitiu alertas de segurança para navios comerciais norte-americanos no Estreito de Ormuz, onde passa 20% do petróleo mundial. Apesar de sinais de diplomacia entre EUA e Irão, o risco de escalada mantém-se. A UE propôs sanções à Rússia, levando a ajustes nos fluxos globais de petróleo. O mercado petrolífero está sob pressão de riscos geopolíticos e mudanças estruturais, com sensibilidade a notícias do Médio Oriente.
Os preços do petróleo registaram uma ligeira descida esta terça-feira, com os mercados a ponderarem os riscos de disrupção da oferta num contexto de tensões persistentes entre os Estados Unidos e o Irão, centradas no Estreito de Ormuz. A correcção surge após uma sessão de fortes ganhos, reflectindo um mercado ainda sensível a desenvolvimentos geopolíticos e a sinais contraditórios no plano diplomático.
Preços ajustam após sessão de ganhos
Os futuros do Brent recuaram 18 cêntimos, ou 0,26%, para 68,85 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) caiu 21 cêntimos, ou 0,33%, para 64,15 dólares. A ligeira correcção ocorre depois de ambos os contratos terem subido mais de 1% na segunda-feira, reagindo a alertas de segurança marítima emitidos pelos Estados Unidos.
Estreito de Ormuz no centro da equação
O mercado reagiu às orientações do Departamento dos Transportes dos EUA, através da sua Administração Marítima, que aconselhou embarcações comerciais de bandeira norte-americana a manterem-se afastadas das águas territoriais iranianas e a recusarem abordagens por forças iranianas.
O alerta reacendeu preocupações sobre a segurança no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo consumido globalmente, ligando produtores-chave do Médio Oriente — incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e o próprio Irão — aos mercados asiáticos.
Diplomacia em curso, mas risco permanece
A moderação dos preços reflecte também a avaliação de que, apesar da retórica e das medidas preventivas, existe um canal diplomático activo. O principal diplomata iraniano afirmou recentemente que as conversações nucleares mediadas por Omã com os Estados Unidos tiveram um “bom início” e deverão prosseguir.
Ainda assim, segundo Tony Sycamore, analista da IG, a incerteza em torno de uma eventual escalada, endurecimento de sanções ou interrupção logística mantém um prémio de risco moderado incorporado nos preços do crude, limitando quedas mais acentuadas.
Sanções à Rússia e ajustamento dos fluxos globais
Em paralelo, a União Europeia propôs o alargamento das sanções contra a Rússia para incluir portos em países terceiros, como Geórgia e Indonésia, utilizados para escoamento de petróleo russo. A medida, ainda em discussão, representa um novo endurecimento da estratégia europeia para restringir receitas energéticas de Moscovo no contexto da guerra na Ucrânia.
Este movimento está a acelerar a reorganização dos fluxos globais de crude. A Indian Oil Corporation, por exemplo, adquiriu recentemente seis milhões de barris de petróleo provenientes da África Ocidental e do Médio Oriente, num sinal de afastamento progressivo do petróleo russo, alinhado com a estratégia de Nova Deli nas negociações comerciais com Washington.
Mercado entre risco geopolítico e ajustamento estrutural
O comportamento recente dos preços evidencia um mercado de petróleo preso entre dois vectores principais: por um lado, riscos geopolíticos concentrados em corredores críticos de abastecimento; por outro, uma adaptação gradual dos fluxos comerciais e das cadeias logísticas globais, em resposta a sanções e realinhamentos estratégicos.
Neste contexto, o petróleo continua a negociar com elevada sensibilidade a manchetes geopolíticas, mantendo um equilíbrio frágil entre correcções técnicas e reacções rápidas a qualquer sinal de escalada no Médio Oriente.
Fonte: O Económico






