Resumo
O sistema bancário moçambicano encerrou o IV trimestre de 2025 com rácios de capitalização e liquidez acima dos requisitos regulamentares, refletindo indicadores prudenciais sólidos, apesar de um ambiente económico desafiante. O relatório do Banco de Moçambique destaca a robustez da capitalização, a liquidez confortável e a necessidade de monitorizar a exposição ao Estado. A qualidade dos ativos permanece sob vigilância, com o rácio de crédito em incumprimento estável, mas elevado em certos segmentos. A rentabilidade melhorou moderadamente em 2025, impulsionada pelo aumento das margens financeiras. Contudo, o sistema enfrenta riscos em 2026, como choques climáticos, situação fiscal e crescimento económico limitado. Apesar das almofadas de capital e liquidez, a banca entra em 2026 sob pressão de risco, exigindo uma gestão prudente e um enquadramento macroeconómico estável.
O sistema bancário moçambicano encerrou o IV trimestre de 2025 com indicadores prudenciais globalmente sólidos, mantendo rácios de capitalização e liquidez acima dos requisitos regulamentares, apesar de um ambiente macroeconómico marcado por crescimento moderado, pressão fiscal e riscos climáticos persistentes. Os dados constam do relatório de Indicadores Prudenciais e Económico-Financeiros do Sistema, divulgado pelo Banco de Moçambique.
Capitalização permanece confortável
No final de Dezembro de 2025, o rácio de solvabilidade do sistema bancário manteve-se significativamente acima do mínimo regulamentar, reflectindo níveis adequados de capital próprio face aos activos ponderados pelo risco. Esta posição oferece uma almofada relevante para absorver choques adversos, num contexto em que o crédito ao sector público continua a ganhar peso relativo nas carteiras dos bancos.
O reforço dos fundos próprios resulta, em parte, da retenção de resultados e de uma gestão mais conservadora do risco, num ambiente de maior escrutínio regulatório.
Liquidez robusta, mas com maior exposição ao Estado
Os indicadores de liquidez evidenciam um sistema confortável, com rácios de activos líquidos acima dos limiares exigidos. Contudo, observa-se uma crescente intermediação do crédito ao Estado, através de títulos do Tesouro e outros instrumentos soberanos, o que, embora reduza o risco de crédito no curto prazo, aumenta a interligação entre o sistema bancário e as finanças públicas.
Esta dinâmica reforça a necessidade de acompanhamento atento do risco soberano e da concentração de activos.
Qualidade dos activos continua sob vigilância
O rácio de crédito em incumprimento (NPL) apresentou estabilidade no último trimestre de 2025, embora permaneça elevado em determinados segmentos, sobretudo ligados a pequenas e médias empresas mais expostas a choques económicos e climáticos.
As provisões constituídas continuam a cobrir de forma adequada o crédito problemático, mitigando riscos imediatos, mas o Banco de Moçambique sublinha a importância de políticas prudentes de concessão de crédito e de recuperação activa.
Rentabilidade melhora de forma moderada
Os indicadores de rentabilidade, nomeadamente o ROA e o ROE, registaram uma melhoria moderada em 2025, sustentada principalmente pelo aumento das margens financeiras, num contexto de taxas de juro ainda relativamente elevadas durante grande parte do ano.
Apesar disso, a rentabilidade permanece condicionada pelos custos operacionais, pela necessidade de provisões e por um ambiente de crescimento económico ainda limitado.
Riscos para 2026: clima, fiscal e crescimento
O relatório destaca que, apesar da resiliência demonstrada, o sistema financeiro enfrenta riscos relevantes para 2026, incluindo, designadamente, a exposição indirecta aos choques climáticos, com impacto sobre clientes e garantias, a evolução da situação fiscal, dada a forte ligação entre bancos e dívida pública e, a capacidade de recuperação económica, essencial para a melhoria sustentada da qualidade do crédito.
Banca Mantém Almofadas, Mas Entra Em 2026 Sob Pressão De Risco
Em termos agregados, os dados do IV trimestre de 2025 indicam que o sistema bancário manteve níveis adequados de capital e liquidez, suficientes para absorver choques no curto prazo. Ainda assim, a combinação entre crescimento económico moderado, maior exposição ao risco soberano e vulnerabilidades associadas a choques climáticos mantém a trajectória do sector dependente de uma gestão prudente do risco e de um enquadramento macroeconómico estável ao longo de 2026.
Fonte: O Económico






