Resumo
A fundição de alumínio Mozal, em Moçambique, entrará em suspensão operacional a partir de 15 de março de 2026 devido à falta de acordo para fornecimento de energia a preços viáveis. A empresa não conseguiu estabelecer um contrato tarifário competitivo, tornando a continuidade das operações economicamente inviável. A seca afetou a produção de energia hidráulica da HCB, agravando a situação. A Mozal projeta um custo de cerca de 60 milhões de dólares para colocar a fábrica em "care and maintenance", incluindo despesas com despedimentos. A empresa é um dos maiores empregadores do país, com impacto em milhares de empregos na economia local. Apesar dos esforços do Governo de Moçambique para evitar a suspensão, não foi alcançado um acordo antes do prazo estabelecido, representando um golpe para a indústria e para as famílias que dependem da Mozal.
A fundição de alumínio South32 Limited, principal accionista da maior unidade industrial do país, confirmou que a unidade de produção da Mozal entrará em regime de suspensão operacional (“care and maintenance”) a partir de 15 de Março de 2026, após fracassar a negociação de um novo acordo de fornecimento de energia a preços viáveis.
O principal motivo para a suspensão das actividades é a incapacidade da empresa em celebrar um contrato de fornecimento de electricidade com tarifas consideradas competitivas, mesmo após longas negociações com o Governo de Moçambique, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e o fornecedor sul-africano Eskom.
Segundo a South32, a produção de alumínio é altamente intensiva em energia, e sem um acordo tarifário que permitisse manter a unidade operacional no mercado global, a continuidade das operações deixou de ser economicamente viável. A situação agravou-se com as condições de seca que afectaram a geração de energia hidráulica da HCB.
A empresa já não tem adquirido matérias-primas necessárias para operar além de Março e projecta um custo de cerca de 60 milhões de dólares para colocar a fábrica em “care and maintenance”, incluindo despesas com despedimentos e término de contratos de serviço.
A Mozal é um dos maiores empregadores industriais do país, empregando directamente cerca de 2 000 trabalhadores e um número similar de contratados, com impacto indirecto em milhares de empregos na economia local e nas cadeias de fornecimento.
A Mozal também informou que não cobrará infra-estruturas habitacionais vinculadas aos trabalhadores afectados, apesar de responsabilizar os mesmos por eventuais financiamentos bancários ligados à sua ocupação.
O Governo de Moçambique tem procurado empenhar-se na preservação das operações da Mozal, com declarações públicas de responsáveis governamentais a afirmar que estão a ser feitos todos os esforços para evitar a entrada da fábrica em manutenção — mas esses esforços não resultaram em acordo antes do prazo estabelecido.
A transição para o regime de “care and maintenance” representa um duro golpe para a indústria local e para milhares de famílias que dependem directa e indirectamente da Mozal. Além do despedimento de trabalhadores, a paralisação das operações pode reduzir significativamente a contribuição da fundição para o emprego formal, para as exportações e para o tecido industrial nacional.





