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Wednesday, February 18, 2026
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A MEDICINA TRADICIONAL E A URBANIZAÇÃO — O FUTURO

Resumo

A medicina tradicional em Moçambique enfrenta desafios devido à urbanização, com plantas medicinais desaparecendo devido à expansão urbana. O uso de ervas medicinais é uma prática enraizada, mas enfrenta críticas devido a associações com superstição por seitas religiosas. Instituições como a Associação Moçambicana dos Médicos Tradicionais e o Ministério da Agricultura não estão a agir para preservar estas plantas com poderes curativos. A urbanização está a substituir plantas medicinais por ornamentais, ameaçando a farmácia tradicional. Questiona-se se os planos de urbanização consideram a preservação destas espécies essenciais da medicina tradicional, levantando preocupações sobre o futuro desta prática ancestral.

Por: Guilherme Manuel Chaúque

MEDICINA TRADICIONAL E A URBANIZAÇÃO— QUE FUTURO?

Num contexto em que a África, caso de Moçambique, uma parte da medicina está ao ar livre, ou seja, os fármacos não são só comprados nas farmácias públicas ou privadas. Os poderes curativos provém dos arbustos, folhas e raízes.

Não se engane caro leitor, a medicina tradicional não se circunscreve apenas ao uso dos búzios e adivinhas feitas por curandeiros, o uso das ervas é também parte deste manancial do poder curativo das nossas raízes e animais. Há quem hoje abomina o uso de alguns arbustos ou raízes para a cura ou prevenção de algumas doenças, tal acontece por conta do advento e explosão das seitas religiosas que associam essa prática à superstição. Uns chegam a dizer que a administração de por exemplo o famoso remédio da lua seja a celebração de algum pacto diabólico que amarra o bebé aos espíritos da família. Causa-me estranheza, pois todos nós passamos por isso, quem não conheceu o sabor amargo daquele remédio? Quem não foi amarrado botão no pulso?

Mas que isso, preocupa-me hoje o silêncio da Associação Moçambicana dos Médicos Tradicionais (AMETRAMO), Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas e os diferentes municípios desta nossa pátria face ao desaparecimento de algumas plantas com poderes curativos devido à urbanização.

Essas três instituições deviam fazer o inventário ervanário do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Índico de todas as plantas e alguns animais com poderes curativos. Onde ontem era lugar em que se buscava essas raízes, surgiram habitações, ninguém respeita o ambiente, essas plantas que são farmácias baratas são substituídas por plantas ornamentais sem nenhum poder curativo.

Não estaria a medicina tradicional a fazer olhos cegos mediante este problema que parece pequeno, mas que num futuro breve comprometerá a farmácia tradicional? Será que durante os planos centrais, provinciais, distritais e locais sobre a urbanização acautela-se a subsistência dessas espécies (algumas endémicas) que fazem parte da medicina tradicional?

E que futuro, onde está a AMETRAMO?

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