Resumo
A FAO precisa de 27,9 milhões de dólares para ajudar 620 mil moçambicanos afetados pelas cheias, com destaque para as províncias de Gaza, Maputo e Sofala. Mais de 852 mil pessoas foram afetadas desde outubro, podendo chegar a 1,1 milhões. A destruição de ativos agrícolas durante a época chuvosa compromete a produção alimentar e os meios de subsistência, podendo levar a uma crise prolongada de insegurança alimentar. A intervenção inclui distribuição de sementes, apoio à produção de hortícolas e recuperação da pesca artesanal. A resposta urgente visa evitar efeitos macroeconómicos negativos, como pressão nos preços alimentares e aumento da dependência de importações. A estação chuvosa e ciclónica prolonga-se até abril, aumentando o risco de novas inundações. As cheias já causaram 27 mortes e 215 óbitos confirmados nesta época chuvosa.
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) necessita de 27,9 milhões de dólares para assistir, até Junho, cerca de 620 mil moçambicanos afectados pelas cheias que atingiram o país durante a presente época chuvosa. A informação foi avançada pela agência Lusa, com base num relatório da FAO divulgado esta semana.
De acordo com o documento, semanas de chuvas intensas e inundações generalizadas, particularmente no mês de Janeiro, afectaram gravemente a vida, os meios de subsistência e os serviços essenciais nas regiões sul e centro de Moçambique. O impacto foi especialmente severo nas províncias de Gaza, Maputo e Sofala, sendo que Gaza representa, por si só, cerca de 75% da população total afectada.
Segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), citados no relatório, mais de 852 mil pessoas foram afectadas desde o início da época chuvosa, em Outubro, podendo este número atingir 1,1 milhões à medida que a situação evolui.
Destruição De Activos Produtivos No Pico Da Campanha Agrícola
O impacto na agricultura assume dimensão estrutural. Quase 288 mil hectares de terras cultiváveis foram destruídas, mais de 531 mil cabeças de gado foram perdidas e centenas de embarcações e infra-estruturas aquícolas foram arrastadas pelas águas. Mais de 365 mil agricultores foram directamente afectados pelas cheias de Janeiro.
As inundações ocorreram durante a principal época agrícola no país, que decorre entre Novembro e Abril, precisamente quando as culturas de sequeiro já se encontravam em fases críticas de crescimento. Com o início das colheitas previsto para Março e Abril, a destruição das culturas compromete tanto a disponibilidade imediata de alimentos como o rendimento sazonal das famílias rurais, refere ainda o relatório citado pela Lusa.
A FAO alerta que a perda não se limita a uma colheita falhada, mas corresponde à destruição dos meios de produção. Sem apoio imediato, o país poderá enfrentar uma crise secundária caracterizada por insegurança alimentar aguda prolongada e maior dependência de assistência humanitária.
Intervenção Urgente Para Evitar Efeitos Macroeconómicos
A dotação de 27,9 milhões de dólares visa permitir que as famílias afectadas restaurem rapidamente a produção alimentar e protejam os seus meios de subsistência baseados em sistemas agro-alimentares. O plano inclui a distribuição de sementes e ferramentas para replantação imediata, o apoio à produção de hortícolas de crescimento rápido, campanhas de saúde animal de emergência para proteger o efectivo remanescente e a recuperação da pesca artesanal através da reposição de equipamento essencial.
O risco permanece elevado, dado que a estação chuvosa e ciclónica se prolonga até Abril, aumentando a probabilidade de novas inundações. Só as cheias de Janeiro afectaram quase 725 mil pessoas e provocaram pelo menos 27 mortos. No conjunto da época chuvosa em curso, o número de óbitos confirmados já ascende a 215, segundo dados oficiais citados pela Lusa.
Do ponto de vista económico, a destruição de activos produtivos agrícolas poderá pressionar os preços alimentares, reduzir o rendimento rural e aumentar a necessidade de importações, agravando vulnerabilidades estruturais num contexto fiscal já exigente. A resposta atempada será determinante para evitar que um choque climático se transforme numa crise alimentar e económica prolongada.
Fonte: O Económico






