27.1 C
New York
Monday, February 23, 2026
InícioEconomiaGoverno Quer Banir Exportação De Madeira Em Bruto Para Forçar Processamento Local

Governo Quer Banir Exportação De Madeira Em Bruto Para Forçar Processamento Local

Resumo

O Governo de Moçambique está a considerar proibir a exportação de madeira não processada para impulsionar a industrialização do setor florestal, visando criar valor acrescentado e promover o desenvolvimento económico e a conservação ambiental. A medida incluirá a revisão das taxas aplicadas para desencorajar a exportação de matéria-prima sem transformação, incentivando a produção local de produtos acabados ou semi-acabados. Esta estratégia pretende diversificar a economia, gerar empregos nas zonas rurais e aumentar as receitas fiscais e cambiais do país. No entanto, a eficácia da medida dependerá de um reforço da capacidade instalada, investimento, energia fiável, logística eficiente e fiscalização rigorosa para evitar a exportação ilegal e garantir o sucesso da política de conteúdo local.

Executivo estuda proibição da exportação de toros não processados e revisão fiscal para estimular industrialização do sector florestal

Do Recurso Primário À Cadeia De Valor

O Governo moçambicano está a avaliar a proibição da exportação de madeira em bruto, numa tentativa de reorientar o sector florestal para o processamento local e para a agregação de valor.

A medida, segundo declarações do Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, visa transformar a exploração florestal numa actividade estruturada em lógica de cadeia de valor, promovendo conservação ambiental e desenvolvimento económico.

A exportação de toros não processados tem sido historicamente criticada por limitar a industrialização e reduzir a capacidade do País capturar maior valor económico dos seus recursos naturais.

Industrialização Como Objectivo Central

O Executivo pretende apresentar proposta formal que inclua não apenas a proibição da exportação em bruto, mas também eventual revisão das taxas aplicadas, tornando economicamente menos atractiva a saída da matéria-prima sem transformação.

A lógica económica é clara: incentivar serrarias, fábricas de mobiliário, processamento secundário e exportação de produtos acabados ou semi-acabados.

Num contexto em que Moçambique procura diversificar a sua base produtiva, o sector florestal surge como alternativa relevante para geração de emprego nas zonas rurais e incremento de receitas fiscais e cambiais.

Impacto Cambial E Potencial De Receita

A indústria florestal tem potencial para reforçar exportações com maior valor unitário, reduzindo dependência de matérias-primas primárias.

Se o processamento local for ampliado, o efeito multiplicador poderá incluir:

– Criação de pequenas e médias indústrias transformadoras;
– Aumento da base tributária;
– Retenção de maior parcela da renda florestal no território nacional.

O desafio, contudo, reside na capacidade instalada. A transição exige investimento, energia fiável, logística eficiente e fiscalização rigorosa.

Fiscalização E Economia Informal

A eficácia da medida dependerá de mecanismos robustos de controlo, incluindo rastreabilidade digital da produção e fiscalização portuária.

O histórico de exportação ilegal de madeira impõe necessidade de reforço institucional para evitar desvio de fluxos formais para canais informais.

Sem controlo efectivo, uma proibição poderá apenas deslocar o problema, em vez de resolvê-lo.

Um Teste À Política De Conteúdo Local

A proposta insere-se numa tendência mais ampla de políticas de conteúdo local e industrialização baseada em recursos naturais.

O dilema estrutural é recorrente: exportar volume ou exportar valor.

Se bem calibrada, a medida poderá transformar o sector florestal num pilar complementar à mineração e ao gás, promovendo industrialização descentralizada.

Se mal implementada, poderá gerar escassez, distorções de mercado ou retração de investimento.

A decisão final será determinante para o posicionamento de Moçambique na gestão sustentável e estratégica dos seus recursos naturais.

Fonte: O Económico

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu nome aqui
Por favor digite seu comentário!

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

Preços na Beira normalizam após corte da EN1 

0
Os preços dos produtos mais procurados nos mercados formais e informais da cidade da Beira, em Sofala, estabilizaram após triplicarem devido aos cortes na...
- Advertisment -spot_img