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Monday, February 23, 2026
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Supremo Dos EUA Limita Alavancagem Tarifária De Trump, Mas Incerteza Comercial Persiste

Resumo

A decisão do Supremo Tribunal dos EUA enfraquece a estratégia comercial de Trump ao invalidar grande parte das tarifas impostas, embora uma nova tarifa universal e investigações adicionais mantenham a pressão. Trump perdeu a capacidade imediata de usar tarifas como pressão, mas a incerteza no comércio internacional persiste. Apesar disso, a administração mantém acordos comerciais, embora sob escrutínio. A decisão representa um marco na política comercial dos EUA, limitando o uso de tarifas como instrumento político. A Casa Branca continuará a explorar outras vias legais para a sua agenda protecionista, resultando num cenário híbrido de menor imprevisibilidade extrema, mas persistência de volatilidade estratégica no comércio internacional.

Decisão judicial enfraquece instrumento central da estratégia comercial da Casa Branca, embora nova tarifa universal e investigações adicionais mantenham pressão sobre parceiros.

A decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos de invalidar grande parte das tarifas impostas pelo Presidente Donald Trump ao abrigo de poderes de emergência enfraquece a sua capacidade de usar tarifas como instrumento imediato de pressão, mas não elimina a incerteza que tem marcado o comércio internacional nos últimos anos, segundo análise publicada pela Reuters .

Fim Da “Bazuca Comercial”?

O tribunal, numa decisão de 6-3, considerou ilegítima a utilização da Lei de Poderes Económicos de Emergência Internacional (IEEPA) para sustentar um vasto programa tarifário. Ainda assim, Trump reagiu poucas horas depois impondo uma nova tarifa universal de 10% sobre importações, posteriormente elevada para 15%, o máximo permitido ao abrigo da legislação aplicável .

Wendy Cutler, ex-responsável comercial norte-americana e vice-presidente do Asia Society Policy Institute, afirmou que Trump perdeu o seu “instrumento favorito”, sobretudo em matérias de política externa, onde utilizava ameaças tarifárias de forma transversal .

William Reinsch, do Center for Strategic and International Studies, considerou que a decisão retira ao Presidente a capacidade de “brandir o grande bastão” nas negociações, ainda que o impacto económico imediato possa ser limitado .

Acordos Mantêm-Se, Mas Sob Escrutínio

Apesar do revés judicial, a administração insiste que os acordos-quadro e tratados comerciais celebrados com cerca de 20 países deverão permanecer em vigor, mesmo quando envolvem tarifas superiores à taxa universal provisória .

Michael Froman, presidente do Council on Foreign Relations e ex-negociador-chefe de comércio da administração Obama, sublinhou que a decisão poderá limitar o uso de tarifas como instrumento de punição fora do domínio estritamente comercial .

Especialistas indicam que os parceiros comerciais ganharam alguma margem negocial adicional, embora poucos estejam dispostos a reabrir acordos já alcançados por receio de reacções retaliatórias.

Incerteza Não Desaparece

Josh Lipsky, do Atlantic Council, advertiu que é prematuro avaliar o impacto total da decisão, dado que o Presidente continua a dispor de outros instrumentos legais para impor tarifas, ainda que com maior complexidade processual .

O Supremo não clarificou questões relativas a eventuais reembolsos de tarifas cobradas ao abrigo da IEEPA, deixando empresas e importadores numa zona de incerteza jurídica .

Países como a Coreia do Sul indicaram que irão analisar cuidadosamente a decisão, mantendo negociações “amistosas” com Washington, numa demonstração de prudência estratégica .

Reconfiguração Da Estratégia Comercial

A decisão judicial representa um momento institucional relevante para a política comercial norte-americana. Ao limitar o recurso a poderes de emergência para fins tarifários amplos, o Supremo introduz um travão estrutural à utilização de tarifas como instrumento político transversal.

Contudo, a elevação imediata da tarifa universal e o anúncio de novas investigações comerciais demonstram que a Casa Branca continuará a explorar outras vias legais para sustentar a sua agenda proteccionista.

O resultado é um cenário híbrido: menor imprevisibilidade extrema, mas persistência de volatilidade estratégica. Para empresas e governos, o comércio internacional entra numa fase de maior formalismo jurídico, mas não necessariamente de menor tensão.

Fonte: O Económico

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