Por: Sara Seda
Quando se compra um carro 0 km, a fita no capô é quase protocolo, mas colocar uma fita num carro usado… ah, meus amigos, isso é cerimónia militar. Imaginemos: o carro já empurrou mais vezes do que travou, já levou pancadas que fariam um tanque chorar, e mesmo assim, lá está ele, com uma fita pomposa no capô, é quase como se estivéssemos a celebrar… a sobrevivência mecânica! “Sim, senhor, conseguimos atravessar o último inverno com todas as portas a fechar, e ainda temos fita!”
No fundo, colocar fita num carro usado é um acto de otimismo, dizemos a nós mesmos: “Sim, ele já tem história… mas a minha começa agora!”, é um pequeno acto de vaidade, um toque de humor e, acima de tudo, uma forma de nos lembrarmos de que, se o carro chegou até aqui, merece pelo menos um pouco de glamour.
E não é só isso, o gesto, que parecia inocente, transforma-se num evento social. fotos, stories, reuniões estratégicas com vizinhos curiosos. Há quem faça até a “voltinha da bênção”, percorrendo ruas que o carro já conhece melhor do que a própria dona, para garantir que todos vejam o milagre: um veículo sobreviveu, e ganhou fita.
E não nos esqueçamos das pequenas dramatizações interiores: o momento em que se coloca a fita é quase solene, o capô rangendo de orgulho, os retrovisores esticando-se como salvas de honra, os pneus carecas a tremer de emoção… é uma cerimónia de coroação automóvel.
No fim, parece que a fita não é só uma tradição para carros novos, virou um gesto de celebração, de humor e de respeito, um símbolo de que, mesmo remendado, arranhado e com faróis tortos, o carro ainda anda e ainda conquista corações. Porque no fundo, não importa se o carro é zero quilómetro ou veterano de guerra, a fita não é apenas um pedaço de plástico, é uma medalha de sobrevivência e uma licença para sorrir no trânsito






