Resumo
Os preços do petróleo registaram ganhos moderados devido ao agravamento das tensões entre os EUA e o Irão, com o WTI a 64,50 dólares por barril e o Brent a 69,35 dólares. No entanto, o aumento de inventários nos EUA e o alerta da IEA para excesso de oferta em 2026 limitam os ganhos estruturais. A pressão dos EUA sobre o Irão impulsionou os preços, mas o aumento de 13,4 milhões de barris nas reservas norte-americanas travou o entusiasmo. A IEA prevê um excedente global de 4 milhões de barris por dia em 2026, devido ao crescimento da oferta e abrandamento da procura. Apesar da OPEP+ pausar aumentos de produção, os elevados inventários globais oferecem proteção contra subidas abruptas de preços.
Os preços do petróleo registaram ganhos moderados esta semana, com o WTI a negociar em torno de 64,50 dólares por barril e o Brent perto dos 69,35 dólares, num movimento sustentado sobretudo pelo agravamento das tensões entre os Estados Unidos e o Irão. O mercado, contudo, permanece num equilíbrio delicado entre o risco geopolítico no Médio Oriente e sinais estruturais de excesso de oferta global.
Tensão no Médio Oriente reacende prémio de risco
O principal catalisador da subida foi a intensificação da pressão norte-americana sobre o Irão. Washington anunciou novas sanções dirigidas a empresas e embarcações associadas à chamada “shadow fleet” iraniana, reforçando a estratégia de “pressão máxima” destinada a limitar as receitas petrolíferas de Teerão.
Em paralelo, sinais de possível mobilização adicional de meios militares norte-americanos para a região e advertências relativas à navegação comercial em águas iranianas reacenderam receios de disrupção na oferta. O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo transportado por via marítima no mundo, permanece um ponto sensível para os mercados energéticos.
Este ambiente adicionou um prémio geopolítico imediato aos preços, sustentando uma valorização diária próxima de 0,9%.
Choque nos inventários trava entusiasmo
A subida dos preços foi, contudo, parcialmente contida por dados do American Petroleum Institute (API), que reportou um aumento expressivo de 13,4 milhões de barris nas reservas norte-americanas na semana terminada a 6 de Fevereiro. Caso confirmado pelos dados oficiais da EIA, tratar-se-á do maior aumento semanal desde finais de 2023.
O incremento sucede a uma forte queda provocada pela tempestade de inverno “Fern”, que havia reduzido a produção no Permian Basin e provocado uma descida de 11,1 milhões de barris nas semanas anteriores. O actual aumento sugere um efeito de normalização da oferta interna norte-americana.
IEA alerta para excesso estrutural em 2026
Para além da volatilidade de curto prazo, os fundamentos estruturais continuam a pesar sobre o mercado. A Agência Internacional de Energia (IEA) projeta para 2026 um excedente global próximo de 4 milhões de barris por dia, equivalente a cerca de 4% da procura mundial.
A procura global deverá crescer apenas 930 mil barris/dia, ritmo inferior aos anos anteriores, penalizado por abrandamentos económicos. Em contrapartida, a oferta poderá aumentar 2,5 milhões de barris/dia, impulsionada pelos Estados Unidos, Canadá, Brasil e Guiana.
Apesar de a OPEP+ ter optado por pausar aumentos de produção até Março, a acumulação de inventários globais — estimados em mais de 433 milhões de barris — cria um colchão significativo contra picos abruptos de preços.
Dinâmica técnica e fluxos regionais
No plano técnico, o WTI permanece num intervalo estreito entre os 63 e 65 dólares. Uma ruptura acima dos 65,50 dólares poderá desencadear uma recuperação adicional até aos 67 dólares. Caso contrário, um regresso à média móvel de 100 períodos, na zona dos 62,50 dólares, permanece possível, sobretudo se os dados oficiais de inventários confirmarem o aumento significativo.
Paralelamente, refinarias indianas estariam a ajustar origens de importação, reduzindo compras de crude russo em favor de petróleo do Médio Oriente e da África Ocidental, num movimento associado a negociações comerciais com os EUA. Esta reconfiguração contribui marginalmente para sustentar os preços internacionais.
Entre risco geopolítico e fundamentos frágeis
O actual comportamento do mercado reflecte uma tensão clássica: eventos geopolíticos de curto prazo elevam o prémio de risco, enquanto dados estruturais apontam para um possível excesso de oferta no médio prazo. A publicação iminente dos relatórios mensais da OPEP e da IEA deverá oferecer maior clareza sobre a sustentabilidade da actual trajectória de preços.
Fonte: O Económico






