Resumo
O mercado petrolífero reagiu ao risco no Estreito de Ormuz com a primeira subida semanal em três semanas, com o Brent a negociar a cerca de US$ 71,58 e o WTI a US$ 66,44, registando ganhos de cerca de 5,3%. O risco geopolítico concentra-se no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, enquanto os inventários nos EUA diminuíram 9 milhões de barris. O JP Morgan alerta para superávits estruturais em 2026, prevendo a necessidade de cortes adicionais da OPEP+. Opções financeiras indicam uma aposta na subida dos preços do petróleo, com traders e investidores a posicionarem-se para uma possível escalada de preços devido ao risco geopolítico. A OPEP+ poderá considerar aumentos graduais de produção a partir de abril, num contexto de excedentes significativos projetados para 2026.
· Brent negoceia em torno de US$ 71,58 e WTI em US$ 66,44;
· Primeira subida semanal em três semanas, com ganho de cerca de 5,3%;
· Risco geopolítico concentra-se no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial;
· Inventários norte-americanos recuaram 9 milhões de barris;
· JP Morgan projeta superávits significativos e necessidade de cortes adicionais da OPEP+.
Mercado Em Modo “Wait-And-See”
O petróleo encerra a semana próximo de máximos de seis meses, com o Brent a negociar em torno de US$ 71,58 por barril e o West Texas Intermediate (WTI) nos US$ 66,44, acumulando ambos ganhos semanais de aproximadamente 5,3% .
A valorização reflecte a escalada verbal entre os Estados Unidos e o Irão, após declarações do Presidente norte-americano advertindo Teerão sobre “consequências graves” caso não haja avanço nas negociações nucleares nos próximos dias .
O epicentro da preocupação permanece o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde transita cerca de 20% do fornecimento global de petróleo. Qualquer disrupção nessa via teria impacto imediato sobre a oferta mundial.
Segundo analistas citados pela Reuters, o mercado encontra-se numa postura cautelosa, aguardando evolução dos acontecimentos ao longo do fim-de-semana .
Opções Financeiras Sinalizam Aposta Em Alta
Dados do Saxo Bank indicam aumento significativo na compra de opções de compra (call options) sobre o Brent, sugerindo que traders e investidores estão a posicionar-se para uma possível escalada de preços .
Este movimento financeiro revela que, apesar da presença de fundamentos de oferta relativamente confortáveis, o risco geopolítico está a prevalecer no curto prazo como principal driver de preço.
O mercado, contudo, permanece dividido entre dois cenários: escalada militar com choque de oferta ou resolução diplomática que aliviará o prémio de risco incorporado nas cotações.
Inventários E Produção: Fundamentos Mais Moderados
Do lado dos fundamentos, os dados da Energy Information Administration (EIA) mostram que os inventários de crude nos Estados Unidos caíram 9 milhões de barris, impulsionados por maior utilização das refinarias e aumento das exportações .
Este recuo contribuiu para sustentar preços na semana.
Contudo, o panorama estrutural permanece mais equilibrado — e possivelmente excedentário.
Analistas do JP Morgan sublinham que o superávit observado no segundo semestre de 2025 persistiu em Janeiro e deverá continuar ao longo do ano . As suas projecções apontam para excedentes significativos mais adiante em 2026, podendo exigir cortes adicionais de cerca de 2 milhões de barris por dia por parte da OPEP+ para evitar acumulação excessiva de inventários em 2027 .
OPEP+ E O Dilema Da Produção
Paralelamente, surgem sinais de que a OPEP+ poderá considerar retomar aumentos graduais de produção a partir de Abril .
Esta possibilidade adiciona pressão potencial sobre os preços, sobretudo se o prémio geopolítico diminuir.
O dilema da organização é clássico: preservar preços elevados para sustentar receitas fiscais ou defender quota de mercado num contexto de oferta crescente fora do carter
Implicações Para Exportadores Africanos
Para países africanos exportadores de crude, a actual conjuntura representa oportunidade de curto prazo, mas risco estrutural de médio prazo.
Preços próximos dos US$ 70–72 oferecem algum alívio orçamental, mas a volatilidade elevada dificulta planeamento fiscal e investimento público sustentado.
Num cenário de resolução diplomática e manutenção de superávits globais, o Brent poderá regressar a trajectórias mais moderadas, comprimindo receitas.
Entre O Prémio Geopolítico E O Excedente Estrutural
O mercado petrolífero em Fevereiro de 2026 encontra-se num ponto de tensão entre dois vectores opostos:
No curto prazo, o risco no Médio Oriente sustenta preços e estimula apostas financeiras em alta.
No médio prazo, os fundamentos de oferta sugerem equilíbrio frágil ou mesmo excedente estrutural.
A evolução das negociações nucleares entre Washington e Teerão poderá definir a trajectória imediata. Mas, para além do ruído geopolítico, a dinâmica estrutural de produção global continuará a moldar o equilíbrio do mercado energético ao longo de 2026.
Fonte: O Económico






