Segunda plataforma flutuante da Área 4 reforça a estratégia de GNL offshore e consolida Moçambique como actor relevante no mercado global de gás.
O lançamento ao mar do casco da plataforma flutuante Coral Norte, ocorrido esta sexta-feira nos estaleiros da Samsung Heavy Industries, em Geoje, na Coreia do Sul, assinala uma etapa decisiva no desenvolvimento do gás natural da Área 4 da Bacia do Rovuma, consolidando a aposta de Moçambique no modelo de produção offshore de Gás Natural Liquefeito (GNL).
A Coral Norte constitui a segunda plataforma flutuante associada à Área 4, depois da Coral Sul FLNG, que já se encontra em operação ao largo da costa da província de Cabo Delgado. O projecto representa um investimento estimado em cerca de 7,2 mil milhões de dólares, aprovado no ano passado, e é liderado pela Eni, em parceria com os restantes concessionários.
Plataforma Replicada, Execução Acelerada
Com mais de 400 metros de comprimento e cerca de 65 metros de largura, o casco agora lançado entra no mar ainda sem os módulos completos de produção, processamento e liquefacção, que serão instalados nas próximas fases. A Coral Norte é, em termos conceptuais e técnicos, uma réplica melhorada da Coral Sul FLNG, beneficiando da experiência operacional acumulada desde o início da produção em 2022.
Esta replicação tecnológica é vista como um factor crítico de redução de riscos e de encurtamento dos prazos de execução, permitindo às concessionárias apontar para o início da produção em 2028, num calendário considerado ambicioso, mas realista, à luz da experiência anterior.
Capacidade, Exportações e Impacto Económico
A partir da sua entrada em funcionamento, a Coral Norte deverá produzir cerca de sete milhões de toneladas de GNL por ano, elevando significativamente a capacidade exportadora de Moçambique no segmento offshore. Com este projecto plenamente operacional, Moçambique passará a figurar como o terceiro maior produtor de gás em África, atrás apenas da Nigéria e da Argélia, segundo estimativas do sector.
Em termos fiscais e macroeconómicos, as projecções indicam que o Estado moçambicano poderá arrecadar cerca de 23 mil milhões de dólares em receitas ao longo da vida do projecto, reforçando o contributo do gás natural para as contas públicas, a balança externa e a posição financeira do país no médio e longo prazo.
Área 4: Um Activo de Classe Mundial
A Área 4 da Bacia do Rovuma é considerada um dos activos de gás natural mais bem-sucedidos a nível global em termos de exploração. Em 15 perfurações realizadas, 14 apresentaram resultados positivos, permitindo identificar reservas estimadas em cerca de 85 triliões de pés cúbicos de gás natural.
Este desempenho sustenta a estratégia faseada de desenvolvimento adoptada pelas concessionárias, combinando produção offshore — menos exposta a riscos de segurança em terra — com uma abordagem gradual de monetização dos recursos.
Projectos Offshore Reforçam Confiança dos Mercados no Gás Moçambicano
O avanço da Coral Norte ocorre numa altura em que os projectos offshore assumem um papel central na credibilização do sector de gás moçambicano, após os constrangimentos enfrentados pelos projectos onshore na mesma bacia.
A execução consistente da Coral Sul e o progresso visível da Coral Norte enviam um sinal claro aos mercados internacionais de que Moçambique mantém capacidade de execução, previsibilidade contratual e relevância estratégica num mercado global de gás marcado por elevada concorrência e exigência de fiabilidade.
Fonte: O Económico






