De acordo com o documento, em praticamente todas as estações pluviométricas monitoradas foi registada precipitação significativa, com valores que, em alguns pontos, ultrapassam largamente os 200 milímetros em apenas um dia. Entre os casos mais críticos estão Mapinhane, no distrito de Vilankulo, onde choveu 320 milímetros, Massinga com 253,9 milímetros, Rio Govuro em Vilankulo com 247,9 milímetros e Guitambatuno, em Jangamo, com 201 milímetros. Em Maxixe, a precipitação atingiu 171 milímetros, enquanto no Aeroporto de Inhambane foram registados 199 milímetros.
A situação mais preocupante, segundo a ARA-Sul, verifica-se na bacia do rio Inhanombe, no distrito de Homoíne. Na estação hidrométrica de Mubalo, o nível da água atingiu 5,44 metros, ultrapassando o nível de alerta fixado em 4,50 metros. Trata-se de um indicador claro de risco iminente de cheias, sobretudo para as comunidades ribeirinhas.
Embora nas restantes estações os níveis ainda se encontrem abaixo do limiar de alerta, a tendência é de subida contínua, o que aumenta o risco de inundações caso as chuvas persistam nas próximas horas. O boletim hidrológico alerta que, nas próximas 48 horas, as bacias do Inhanombe e Mutamba podem registar níveis acima do alerta, situação que poderá provocar inundações em zonas baixas, interrupção da transitabilidade e perdas materiais.
Face ao cenário, a ARA-Sul apela à população para adotar medidas imediatas de precaução, com destaque para a não travessia dos rios, sobretudo o Inhanombe e o Mutamba, devido à força das correntes de água, que podem provocar arrastamentos fatais. As autoridades recomendam ainda atenção redobrada às informações hidrológicas divulgadas pelos serviços competentes e a retirada de pessoas e bens das zonas mais vulneráveis.
Este novo episódio de precipitação extrema volta a expor a elevada vulnerabilidade hidrológica da província de Inhambane, numa época chuvosa marcada por eventos cada vez mais intensos e concentrados, associados às mudanças climáticas. As autoridades mantêm o acompanhamento permanente da situação e não excluem a possibilidade de novos avisos caso o quadro se agrave.
Fonte: O País






