Resumo
O Escritório de Direitos Humanos da ONU na Colômbia registou 972 assassinatos de defensores de direitos humanos entre 2016 e 2025, revelando uma realidade persistente de violência ligada a causas estruturais no país. Em média, 100 ativistas são mortos anualmente na Colômbia, tornando-a um dos locais mais perigosos para ativistas em todo o mundo. Apesar das medidas implementadas pelo governo para combater a violência, o relatório destaca a necessidade de mais ações para proteger os defensores. A tendência de aumento de assassinatos está relacionada a conflitos em áreas antes controladas pelas Farc-EP, onde o Estado enfrenta dificuldades. O documento aponta que os ativistas são alvejados por criminosos ligados ao tráfico de drogas, mineração ilegal e outros crimes, com altos níveis de impunidade e corrupção a contribuir para a violência.
Especialistas afirmam que os padrões e tendência de homicídios na Colômbia com ameaças, ataques, deslocamentos forçados e violência a ativistas mostram que os casos não são isolados, mas uma realidade persistente e ligada a causas estruturais.
“É preciso fazer mais”
Em média, 100 ativistas são assassinados todos os anos no país, fazendo da Colômbia um dos locais mais letais para ativistas em todo o mundo.
Segundo o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, esta é uma realidade de partir o coração. Ele destaca que o governo implementou várias medidas importantes para enfrentar a violência aos defensores, mesmo assim é preciso fazer mais.
O relatório reconhece passos dados pelas autoridades da Colômbia como o lançamento de um diálogo de alto nível com organizações da sociedade civil adotando ações imediatas e de prevenção em situações de urgência. Elas também cooperam com o Escritório da ONU sobre o tema no país.
Prioridade de Estado
Turk afirma que o país está num ponto de virada e que se não houver medidas efetivas para tornar o enfrentamento da violência uma prioridade de Estado, a violência contra os ativistas de direitos humanos seguirá existindo no país.
Em 2016, o Governo da Colômbia firmou um Acordo de Paz com rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Farc-EP, para acabar com a violência no país.
Mas segundo o relatório, apresentado à ONU, o número de assassinatos de defensores de direitos humanos tem aumentado gradativamente. Esta é uma tendência ligada a conflitos incluindo atores não-armados em áreas antes controladas pelas Farc-EP, e onde o Estado tem tido dificuldade para estabelecer uma presença constante.
Indígenas e camponeses
O documento aponta que os ativistas estão sendo alvejados por criminosos com ligações ao tráfico de drogas, mineração ilegal, extração ilegal de madeira e tráfico humano.
Essas áreas da Colômbia ainda sofrem com altos níveis de impunidade, instituições fracas e corrupção que contribuem para a violência.
O relatório oferece detalhes sobre eventos que ocorreram entre 1 de janeiro de 2022 e 31 de dezembro de 2025 quando 410 defensores de direitos humanos foram assassinados. Cerca de 23% das vítimas eram indígenas. Afrodescendentes, camponeses, mulheres ativistas e pessoas com orientações sexuais diversas também foram alvos dos criminosos.
Mais de 70% dos autores dos crimes foram avaliados como atores armados não-estatais.
Fonte: ONU






