Resumo
O Irão, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, enfrenta limitações na sua produção devido a sanções, infraestruturas antigas e decisões políticas da OPEP. Controlando o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, o país é crucial para a estabilidade dos mercados energéticos e agrícolas. Tensões nessa região podem causar choques na oferta, subida de preços e instabilidade global. O aumento do preço do petróleo afeta a economia global, elevando a inflação e o custo de vida, impactando o transporte, produção e despesas empresariais. Importadores como Moçambique sofrem mais, com pressão nas finanças públicas e estabilidade de preços. Interrupções no Estreito de Ormuz podem restringir o acesso a fertilizantes, afetando a produção agrícola e elevando os preços dos alimentos, com impacto nas populações de menor rendimento. A crise no Médio Oriente está a travar a recuperação económica global, levando a uma revisão em baixa das previsões de crescimento e aumento da inflação nos países do G20.
O Irão é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, com reservas estimadas entre 155 e 160 mil milhões de barris, produzindo cerca de 3,5 a 4 milhões de barris por dia, exportando sobretudo, para países asiáticos como China, Índia, Japão e Coreia do Sul. No entanto, a sua capacidade produtiva é limitada por sanções internacionais, infraestruturas envelhecidas e decisões políticas no âmbito da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
Além da produção, o país controla estrategicamente o Estreito de Ormuz, por onde passa via marítima, cerca de 20% do petróleo mundial e volumes de gás natural liquefeito, reforçando sua importância para a estabilidade dos mercados energéticos e agrícolas. Por isso qualquer tensão ou bloqueio nesta rota pode provocar choques na oferta, subida dos preços e instabilidade nos mercados globais. A subida recente do preço do petróleo intensifica pressões sobre a economia global, elevando a inflação e o custo de vida. O aumento dos combustíveis encarece transporte e produção, impactando preços, poder de compra e despesas empresariais.
Para países importadores, como Moçambique, os efeitos são mais severos. A dependência externa expõe a economia a choques internacionais, pressionando as finanças públicas e dificultando a estabilidade dos preços internos.
Segundo o relatório “Interrupções no Estreito de Ormuz: implicações para o comércio global e o desenvolvimento”, da UNCTAD, a instabilidade nesta rota estratégica pode restringir o acesso a fertilizantes em economias vulneráveis, afectando a produção agrícola e elevando os preços dos alimentos.
“A escalada do conflito que afecta a região do Estreito de Ormuz reflecte-se cada vez mais nos mercados de fertilizantes, interligando as interrupções no fornecimento de energia e no transporte marítimo aos mercados agrícolas, ao futuro do abastecimento alimentar e ao comércio”, refere o documento.
Para a UNCTAD, Moçambique importou cerca de 22% dos fertilizantes via Golfo Pérsico em 2024, evidenciando forte dependência de uma rota sob tensão geopolítica. Países como Tanzânia, Sudão e Sri Lanka apresentam níveis de exposição ainda mais elevados.
A organização alerta que o aumento dos custos de energia, fertilizantes e transporte, incluindo fretes marítimos, combustíveis e prémios seguros, pode provocar uma subida generalizada dos preços dos alimentos, afectando sobretudo as populações de menor rendimento.
O documento evidencia, também, a elevada concentração do comércio global de fertilizantes, o que aumenta o risco de disrupções. Cerca de um terço do volume marítimo mundial destes insumos, aproximadamente 16 milhões de toneladas por ano, transita pelo Estreito de Ormuz a partir do Golfo Pérsico.
A crise intensificou-se após ataques militares envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o Irão, seguidos de uma retaliação que incluiu o encerramento do estreito e acções contra infra-estruturas estratégicas na região.
A escalada do conflito no Médio Oriente está a afetar a economia global, travando a recuperação recente. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a perturbação do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz pressiona os custos energéticos e encarece produção e transporte, elevando os riscos inflacionistas.
Este contexto levou à revisão em baixa das previsões de crescimento global, com o PIB mundial a desacelerar de 3,3% em 2025 para 2,9% em 2026. A inflação nos países do G20 deverá atingir 4,0% em 2026, aumentando o custo de vida e reduzindo o poder de compra, especialmente em economias dependentes de importações, como Moçambique.






