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Défice Externo Agrava-Se Para USD 1,3 Mil Milhões No I Semestre De 2025 Apesar Do Forte Aumento Do IDE

Resumo

No I semestre de 2025, Moçambique registou um agravamento nas necessidades de financiamento externo, com um défice de USD 1.366 milhões na conta corrente, devido sobretudo ao aumento do défice na conta de serviços, que atingiu USD 578 milhões. As transferências de capital diminuíram, aumentando a dependência de investimento direto estrangeiro, que cresceu 37,5% em relação ao ano anterior, com mais de 76% a ser absorvido pela indústria extractiva, principalmente pelo setor de petróleo e gás. A posição de investimento internacional líquida permaneceu negativa em USD 71.561,3 milhões, destacando a exposição da economia a fluxos externos. O país enfrenta desafios para equilibrar a balança de pagamentos, com a necessidade de diversificar a economia e reduzir vulnerabilidades estruturais.

Conta Corrente Aprofunda Desequilíbrio Com Pressão Nos Serviços; Petróleo E Gás Absorvem Mais De 76% Do Investimento Directo Estrangeiro Na Indústria Extractiva

Conta Corrente Mantém Pressão Apesar De Melhoria Nos Bens

O Relatório Semestral da Balança de Pagamentos do Banco de Moçambique revela que, no I semestre de 2025, as necessidades líquidas de financiamento externo atingiram USD 1.299 milhões, representando um aumento de 8,5% face ao período homólogo . O agravamento resulta essencialmente da deterioração da conta corrente e da redução do saldo positivo das transferências de capital.

A conta corrente registou um défice de USD 1.366 milhões, mais 3,2% do que no mesmo período de 2024 . Importa notar que a pressão não decorre do comércio de bens, cujo défice reduziu para USD 263 milhões , mas sobretudo do agravamento da conta de serviços.

Serviços Tornam-Se O Principal Factor De Pressão Externa

O défice da conta de serviços aumentou para USD 578 milhões, mais USD 249 milhões do que no período homólogo . A subida reflecte maiores despesas com assistência técnica, investigação e desenvolvimento, viagens e serviços de gestão e consultoria — rubricas fortemente associadas à implementação de megaprojectos intensivos em capital e tecnologia.

Este padrão confirma uma característica estrutural da economia moçambicana: mesmo quando as exportações de bens apresentam desempenho robusto, a dependência de serviços especializados externos tende a absorver parte significativa das divisas geradas.

Transferências De Capital Recuam E Reduzem Almofada Externa

Paralelamente, as transferências de capital diminuíram 47%, fixando-se em USD 67 milhões . Esta redução implica menor financiamento não reembolsável, aumentando a necessidade de compensação via fluxos financeiros, nomeadamente investimento directo e endividamento.

IDE Acelera E Consolida Dependência Do Sector Extractivo

No lado financeiro, o semestre foi marcado por um forte aumento do Investimento Directo Estrangeiro, que totalizou USD 2.532 milhões, um crescimento de 37,5% em termos homólogos .

A indústria extractiva absorveu USD 2.361 milhões deste montante, com o subsector de petróleo e gás a concentrar cerca de USD 1.800 milhões, correspondendo a 76,2% do IDE extractivo .

Este dado evidencia dois aspectos centrais: por um lado, a capacidade do país em atrair capital para projectos estruturantes; por outro, a elevada concentração sectorial do financiamento externo, tornando o equilíbrio da balança de pagamentos sensível ao calendário e execução dos projectos de hidrocarbonetos.

Posição Externa Mantém-se Estruturalmente Devedora

No final do II trimestre de 2025, a Posição de Investimento Internacional líquida situou-se em USD 71.561,3 milhões negativos, reflectindo a diferença entre activos externos e passivos face ao resto do mundo . O aumento desta posição devedora sublinha a exposição estrutural da economia a fluxos externos e ao financiamento internacional.

 

O Que Revela O Retrato Do I Semestre

O I semestre de 2025 apresenta um quadro dual: por um lado, reforço expressivo do IDE e dinamismo no sector extractivo; por outro, agravamento do défice externo, pressionado por serviços e redução de transferências de capital.

A sustentabilidade externa dependerá, nos próximos trimestres, de três variáveis críticas:

Num contexto global ainda volátil, a balança de pagamentos confirma que o modelo de crescimento moçambicano continua ancorado no ciclo extractivo, enquanto a diversificação produtiva e a industrialização permanecem determinantes para reduzir vulnerabilidades estruturais.

Fonte: O Económico

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