Por: Lurdes Almeida
Moçambique dispõe de condições favoráveis para diversificar e fortalecer a sua economia. O país possui terras aráveis, uma extensa costa marítima, recursos minerais e energéticos, elevado potencial turístico e uma localização estratégica na África Austral. Porém, estas vantagens ainda não se traduziram plenamente em crescimento económico inclusivo, criação de emprego e melhoria sustentável das condições de vida da população, uma vez que ainda persistem elevados níveis de pobreza, oportunidades de emprego insuficientes, baixa capacidade de transformação industrial e forte dependência de bens importados.
Neste contexto, a posição do Presidente da Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), Lucas Chachine, segundo a qual as pequenas e médias empresas constituem um dos principais motores do desenvolvimento económico nacional, merece atenção. O fortalecimento das PME deve traduzir-se em políticas, instrumentos de financiamento e medidas concretas que aumentem a capacidade produtiva, a competitividade e a participação destas empresas nos mercados.
As PME actuam em diversos sectores, incluindo agricultura, agro-indústria, pescas, comércio, transportes, turismo, logística, serviços e tecnologias. A sua presença nos centros urbanos, nas zonas rurais e nas comunidades permite-lhes responder às necessidades dos mercados locais e criar oportunidades económicas mais próximas da população. É neste quadro que as pequenas e médias empresas assumem uma função estratégica.
Quando milhares de empresas se mantêm activas, expandem as suas operações e aumentam a produtividade, podem criar um volume expressivo de empregos, elevar o rendimento das famílias e dinamizar as economias locais. Por essa razão, o crescimento das PME deve ser encarado não apenas como um objectivo empresarial, mas também como um instrumento de desenvolvimento económico e social.
Apesar do seu potencial, muitas pequenas e médias empresas enfrentam obstáculos que dificultam a sua criação, sobrevivência e expansão. O acesso ao financiamento continua limitado, os custos do crédito permanecem elevados e os procedimentos administrativos podem aumentar o tempo e os custos necessários para iniciar ou manter uma actividade empresarial. A insuficiência de energia, as dificuldades de transporte, os elevados custos logísticos e as limitações das infra-estruturas também reduzem a competitividade das empresas.
Para muitas PME, o desafio não se resume à obtenção de capital inicial. A continuidade e o crescimento do negócio dependem da capacidade de adquirir equipamentos, aumentar a produção, melhorar a qualidade dos produtos, adoptar novas tecnologias e alcançar novos clientes.
Por isso, o apoio às PME deve ultrapassar a realização de conferências, seminários e declarações sobre empreendedorismo. É necessário disponibilizar instrumentos de financiamento adequados, reforçar a assistência técnica, simplificar procedimentos administrativos, melhorar o acesso às infra-estruturas e facilitar a integração das empresas nas cadeias de produção e comercialização.
Uma relação económica equilibrada deve gerar benefícios para todas as partes envolvidas. Quando as PME conseguem produzir mais, melhorar a qualidade dos seus produtos, alcançar novos mercados e criar empregos, o potencial económico do país deixa de ser apenas uma expectativa e passa a gerar resultados concretos para as famílias, as comunidades e a economia nacional.






