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Monday, February 2, 2026
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Dólar Fraco Impulsiona Arranque Forte De 2026 Nos Mercados Emergentes

Acções, obrigações e moedas de economias emergentes registam forte valorização, num movimento sustentado por melhores fundamentos macroeconómicos e por uma rotação global de capitais para fora dos EUA.

Os mercados emergentes iniciaram 2026 com um desempenho robusto em acções, obrigações e moedas, beneficiando de um dólar mais fraco e de uma mudança estrutural no posicionamento dos investidores globais, que procuram diversificar para fora dos Estados Unidos num contexto de maior selectividade e foco nos fundamentos económicos.

Fraqueza Do Dólar Reabre Espaço Para Emergentes

Segundo o Financial Times, a queda do dólar para mínimos de quatro anos está a funcionar como um catalisador decisivo para os mercados emergentes, reduzindo pressões cambiais, melhorando condições financeiras internas e tornando os activos destes países mais atractivos em termos relativos.

Desde o início do ano, moedas como o real brasileiro, o peso mexicano, o peso chileno e o rand sul-africano figuram entre as mais valorizadas face ao dólar, enquanto várias bolsas emergentes acumulam ganhos de dois dígitos em termos de dólares.

Acções Emergentes Superam Mercados Desenvolvidos

O índice MSCI Emerging Markets registou ganhos próximos de 11% em Janeiro, após uma valorização superior a 30% em 2025, no que foi o seu melhor desempenho anual desde 2017. Em contraste, os principais índices de mercados desenvolvidos apresentaram ganhos mais modestos no início do ano.

De acordo com o Financial Times, o valor de mercado das acções emergentes aumentou em mais de um bilião de dólares desde o início de 2026, reflectindo entradas significativas de capitais institucionais.

Obrigações Em Moeda Local Ganham Protagonismo

O movimento não se limita às acções. As obrigações soberanas e corporativas em moeda local dos mercados emergentes estão a atrair fluxos relevantes, beneficiando da combinação entre taxas de juro reais elevadas e menor risco cambial.

Dados citados pelo Financial Times indicam que o índice da JPMorgan para obrigações emergentes em moeda local já acumula ganhos superiores a 2% no início do ano, depois de um retorno de cerca de 19% em 2025, superando largamente activos equivalentes em economias avançadas.

David Hauner, responsável global de estratégia de rendimento fixo em mercados emergentes do Bank of America, afirmou ao FT que “os fundamentos nas economias emergentes melhoraram, mas foi preciso um dólar mais fraco para que os investidores globais começassem realmente a prestar atenção”.

Mais Do Que Carry Trade

Analistas sublinham que o actual movimento vai além de estratégias tácticas de carry trade. James Lord, responsável global de câmbios e mercados emergentes no Morgan Stanley, citado pelo Financial Times, destacou que existe “uma compra estrutural de obrigações emergentes em moeda local”, visível inclusive nas estatísticas oficiais de balança de pagamentos.

Este padrão sugere uma mudança mais duradoura no apetite ao risco, suportada por trajectórias fiscais mais disciplinadas, bancos centrais credíveis e reformas macroeconómicas implementadas nos últimos anos em várias economias emergentes.

Diversificação Ganha Peso Na Estratégia Global

A rotação de capitais reflecte igualmente um movimento de diversificação estratégica após anos de forte concentração nos activos norte-americanos, impulsionados pelo sector tecnológico e pela força do dólar.

Com o enfraquecimento do greenback e sinais de maturidade do ciclo nos EUA, investidores institucionais voltam a olhar para mercados emergentes como uma alternativa atractiva em termos de crescimento, retorno ajustado ao risco e diversificação cambial.

Fonte: O Económico

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