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Dólar Recupera com Nova Turbulência Tarifária de Trump e Pressiona Yen e Euro

Resumo

A incerteza comercial volta a dominar os mercados asiáticos após o Supremo Tribunal dos EUA travar as tarifas de emergência de Trump, que ameaça impor novas taxas sob um enquadramento legal alternativo. O dólar norte-americano valorizou-se, pressionando o yen e outras moedas asiáticas. Trump aumentou temporariamente as tarifas e sugeriu mais taxas com base em segurança nacional, levando o Parlamento Europeu a adiar a votação do acordo comercial com os EUA. A reabertura dos mercados na China e no Japão trouxe volatilidade, com o yen enfraquecido devido a tensões regionais. A Reserva Federal mantém uma postura cautelosa, com expectativa de manter as taxas de juro até Junho. A incerteza comercial e a política monetária influenciam o mercado cambial, enquanto as ameaças tarifárias dos EUA afetam o comércio global e reforçam o dólar como ativo de refúgio.

Incerteza comercial volta a dominar mercados asiáticos após Supremo dos EUA travar tarifas de emergência, enquanto Casa Branca ameaça novas taxas sob enquadramento legal alternativo.

O dólar norte-americano recuperou terreno esta terça-feira (24), num contexto de renovada turbulência comercial associada à política tarifária do Presidente Donald Trump, pressionando o yen e outras divisas de referência nos mercados asiáticos.

Segundo a Reuters, o índice do dólar, que mede o desempenho do “greenback” face a um cabaz de moedas, avançou 0,2% para 97,90 pontos.

O yen japonês depreciou 0,4%, negociando nos 155,27 por dólar, enquanto o euro recuou 0,14% para 1,1768 dólares e a libra esterlina perdeu 0,08%, fixando-se em 1,3478 dólares.

Supremo trava, Casa Branca contorna

A instabilidade foi desencadeada após o Supremo Tribunal dos EUA considerar que o recurso por Trump a uma lei de emergência de 1977 para impor tarifas excedia a sua autoridade legal. Contudo, poucas horas depois, o Presidente invocou um enquadramento jurídico alternativo e anunciou nova taxa sobre todas as importações.

Trump confirmou ainda o aumento de uma tarifa temporária de 10% para 15%, o nível máximo permitido ao abrigo da legislação invocada, e sinalizou a possibilidade de aplicar novas tarifas com base em argumentos de segurança nacional, abrangendo sectores como baterias industriais, produtos de ferro fundido, químicos industriais e equipamentos para redes eléctricas e telecomunicações.

O Parlamento Europeu decidiu, por seu turno, adiar a votação do acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos, reflectindo a incerteza provocada pelas novas medidas.

Ásia reage com cautela

A reabertura dos mercados na China e no Japão, após período de feriados, trouxe volatilidade adicional. O yen enfraqueceu num ambiente de tensões acrescidas, incluindo novos controlos de exportação anunciados por Pequim sobre empresas japonesas, sinalizando deterioração nas relações regionais.

Analistas sublinham que o cenário actual devolve os mercados a um ambiente de incerteza semelhante ao observado nos períodos mais intensos da guerra comercial anterior.

Política monetária mantém prudência

A instabilidade comercial surge num momento em que a Reserva Federal mantém postura cautelosa. A expectativa dominante é de manutenção das taxas de juro pelo menos até Junho.

O governador Christopher Waller admitiu estar aberto a manter as taxas inalteradas na reunião de Março, caso os dados do mercado laboral de Fevereiro indiquem recuperação após um 2025 mais frágil.

O mercado cambial reage assim a um duplo eixo de risco: incerteza comercial crescente e indefinição quanto ao ritmo de flexibilização monetária.

Comércio global sob nova névoa

As ameaças tarifárias de Washington voltam a ensombrar as perspectivas do comércio internacional, num momento em que investidores já questionam a sustentabilidade de grandes ciclos de investimento, incluindo em inteligência artificial, e permanecem atentos às tensões geopolíticas envolvendo o Médio Oriente.

A actual conjuntura reforça o dólar como activo de refúgio táctico, ainda que à custa de maior volatilidade nas moedas asiáticas e europeias.

Fonte: O Económico

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