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Friday, February 13, 2026
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ENH e Baker Hughes criam ‘joint venture’ para reforçar serviços técnicos e conteúdo local no sector do gás

Resumo

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e a Baker Hughes assinaram um memorando em Itália para criar uma entidade conjunta maioritariamente moçambicana, visando fornecer serviços especializados no setor do petróleo e gás em Moçambique. A nova entidade, onde a ENH Exploration terá 51% e a Baker Hughes 49%, competirá na prestação de serviços técnicos ao longo do ciclo de vida dos projetos de LNG. Esta parceria, formalizada durante o Annual Meeting 2026 da Baker Hughes, visa reforçar o conteúdo local e desenvolver competências nacionais, alinhando-se com a estratégia de expansão da produção de gás natural liquefeito em Moçambique. A iniciativa inclui formação especializada para profissionais moçambicanos e está inserida no Plano Estratégico 2024–2034 da ENH, visando fortalecer a presença nacional na cadeia de valor do gás.

Memorando assinado em Itália prevê entidade maioritariamente moçambicana para competir na prestação de serviços especializados ao longo do ciclo de vida dos projectos de LNG

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e a multinacional de serviços energéticos Baker Hughes assinaram, em Florença, Itália, um memorando de entendimento para a criação de uma entidade conjunta destinada à prestação de serviços técnicos especializados no sector do petróleo e gás em Moçambique.

Nos termos do acordo, a ENH Exploration — subsidiária integral da ENH Serviços — deterá 51% do capital da nova entidade, enquanto a Baker Hughes ficará com 49%, configurando uma estrutura maioritariamente moçambicana alinhada com a estratégia nacional de reforço do conteúdo local.

A parceria foi formalizada à margem do Annual Meeting 2026 da Baker Hughes, realizado entre 27 e 30 de Janeiro sob o lema “The Energy Equation”, evento que reuniu mais de 2.500 especialistas do sector energético, decisores políticos e líderes empresariais.

Serviços técnicos estratégicos para a cadeia do LNG

O consórcio deverá concorrer à prestação de um conjunto alargado de serviços especializados, incluindo construção e completação de poços, intervenções, “pressure pumping”, serviços de “wireline”, sistemas de elevação artificial, químicos industriais e sistemas de controlo de pressão submarinos e de superfície.

A iniciativa surge num momento em que Moçambique se prepara para uma fase de expansão da produção de gás natural liquefeito (LNG), com projectos como Coral Sul em operação, Mozambique LNG (Golfinho–Atum) em retoma e Rovuma LNG em preparação para decisão final de investimento.

O aumento da actividade deverá elevar significativamente a procura por serviços técnicos sofisticados ao longo da cadeia de valor energética, criando espaço para maior participação nacional.

Conteúdo local e retenção de valor

A Presidente do Conselho de Administração da ENH Exploration, Mónica Juvane, classificou a parceria como um marco estratégico, sublinhando o seu potencial para desenvolver competências nacionais e gerar receitas em moeda externa.

Segundo a responsável, modelos semelhantes foram adoptados por empresas nacionais de energia em países como Angola, Brasil e Nigéria, permitindo maior retenção de valor dentro das respectivas economias.

O acordo prevê igualmente um forte componente de capacitação. Actualmente, 12 profissionais moçambicanos encontram-se em formação especializada no Dubai, devendo posteriormente integrar programas de treino prático nas operações da Baker Hughes.

A iniciativa enquadra-se na estratégia governamental de desenvolvimento de mão-de-obra qualificada e de maximização do impacto económico dos megaprojectos, procurando assegurar que uma parcela crescente dos recursos financeiros associados ao sector permaneça na economia nacional.

Consolidação estratégica da ENH

A criação da nova entidade ocorre no contexto da implementação do Plano Estratégico 2024–2034 da ENH, que prevê maior integração vertical, fortalecimento de capacidades técnicas internas e posicionamento mais activo ao longo da cadeia de valor do gás.

A parceria com um operador global como a Baker Hughes poderá acelerar a transferência de tecnologia, reforçar padrões operacionais e aumentar a competitividade da componente nacional nos concursos internacionais associados aos projectos de LNG.

Num sector caracterizado por elevada complexidade técnica e intensidade de capital, a consolidação de estruturas mistas com maioria nacional pode representar um passo relevante para transformar o conteúdo local de obrigação formal em capacidade efectiva e sustentável.

Fonte: O Económico

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