27.1 C
New York
Saturday, February 14, 2026
InícioInternacionalEnviado especial da ONU saúda esforços de pacificação da Síria

Enviado especial da ONU saúda esforços de pacificação da Síria

Resumo

O enviado especial adjunto do secretário-geral da ONU para a Síria, Claudio Cordone, informou o Conselho de Segurança sobre a transição política no país após mais de uma década de guerra. Um acordo entre o governo e as Forças Democráticas Sírias prevê integração militar e administrativa, proteção dos direitos dos curdos sírios e retorno seguro dos deslocados. Cordone apelou à investigação de abusos contra civis e combatentes, incluindo transferências de detidos suspeitos de pertencerem ao Daesh para o Iraque. Em Sweida, confrontos persistem, e Israel continua operações no sul da Síria, com relatos de danos. Cordone pediu respeito ao direito internacional e à soberania síria, exigindo a retirada de Israel de áreas ocupadas desde 1974.

O enviado especial adjunto do secretário-geral para a Síria, Claudio Cordone, atualizou o Conselho de Segurança da ONU sobre a situação no país, que passa por uma transição política após mais de uma década de guerra.

Em 30 de janeiro, o governo e as Forças Democráticas Sírias anunciaram um cessar-fogo e um acordo abrangente, prevendo um processo gradual de integração militar e administrativa.

Direitos dos curdos sírios

Este acordo também incluiu disposições sobre o retorno dos deslocados e os direitos civis e educacionais dos curdos sírios, com base no decreto presidencial nº 13 de 16 de janeiro.

Cordone afirmou que, até o momento, os confrontos no nordeste do país terminaram e o plano de implementação do acordo “tem progredido de maneira positiva”.

Ele afirmou que a expectativa é que haja uma integração pacífica do nordeste da Síria, proteção dos direitos dos curdos sírios e um “retorno seguro, digno e voluntário dos deslocados internos, criando condições para que todos possam viver com dignidade e sem medo” nessa parte do país. 

Claudio Cordone, vice-enviado especial para a Síria, fala numa reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a situação no Médio Oriente, com Muzna Dureid, co-fundadora do Movimento Político das Mulheres Sírias, sentada à sua direita.
ONU/Loey Felipe

Claudio Cordone (centro), enviado especial Adjunto do Secretário-Geral para a Síria, abre a reunião do Conselho de Segurança sobre a situação na Síria

Investigação de violações

O representante da ONU fez um apelo a todas as partes para que investiguem as alegações de abusos contra civis e combatentes, e responsabilizem os culpados. 

Ele disse que seu escritório está acompanhando de perto a situação em torno dos centros de detenção no nordeste, incluindo a transferência de um grande número de detidos sírios e não sírios suspeitos de pertencerem ao Daesh para o Iraque, onde se espera que sejam levados à justiça.

Cordone disse que os autores ​​das atrocidades devem ser responsabilizados e pediu que as autoridades iraquianas garantam que quaisquer processos judiciais respeitem plenamente os padrões de um julgamento justo. 

Para ele, a evolução da situação também reforça a necessidade de os Estados-membros intensificarem os esforços para repatriar os seus nacionais o mais rápido possível.

Regiões ainda instáveis

Em Sweida, houve novos confrontos entre as forças de segurança do governo e grupos armados locais, além de relatos de danos materiais e cortes de energia. 

O Ministério do Interior sírio anunciou a prisão de um membro das forças de segurança interna, após uma investigação oficial que o identificou como suspeito do assassinato de quatro civis e do ferimento de outro em 7 de fevereiro.

No sul do país, as incursões e operações de busca israelenses continuaram. Há relatos de pulverização aérea de herbicidas por Israel, causando danos às plantações e pastagens. 

Cordone reiterou pediu pleno respeito ao direito internacional, à soberania da Síria e à sua integridade territorial, exigindo que Israel se retire das áreas que ocupa em violação ao Acordo de Separação de Forças de 1974. 

Mulheres e crianças caminham pelo campo de Al-Hol, na Síria, um local de deslocamento que abriga mais de 30.000 pessoas, com tendas e infraestrutura visíveis sob um céu claro.
Mulheres e crianças caminham pelo campo de Al Hol na Síria, um local de deslocamento que abriga mais de 30 mil pessoas

Papel “extraordinário” das mulheres

O enviado especial adjunto também destacou em sua fala “o papel extraordinário desempenhado pelas mulheres sírias e pela sociedade civil ao longo dos anos de conflito, bem como nestes últimos 14 meses”.

Um grupo de países-membros do Conselho de Segurança da ONU, Colômbia, Dinamarca, França, Grécia, Letônia, Libéria, Panamá e Reino Unido, reafirmou nesta sexta-feira seu compromisso compartilhado com a agenda Mulheres, Paz e Segurança e com o apoio a mulheres e meninas na Síria. 

O conflito teve um impacto desproporcional sobre mulheres e meninas, incluindo violência sexual e de gênero generalizada e a negação de direitos econômicos, sociais e políticos.

Posicionamentos do Conselho de Segurança

Na declaração, o grupo saúdou o renovado impulso político após a histórica visita do órgão à Síria em dezembro. O texto também reconhece o compromisso declarado do governo sírio com uma transição política liderada e conduzida pelos sírios. 

A nota enfatiza a necessidade da participação plena, igualitária, significativa e segura das mulheres em todos os processos políticos e de tomada de decisão, com representação inclusiva em todas as diversas comunidades étnicas e religiosas da Síria.

Na quinta-feira, o Conselho de Segurança emitiu declaração saudando o acordo abrangente entre o Governo da Síria e as Forças Democráticas Sírias, e o fato de a implementação já estar em curso. 

Os membros do Conselho de Segurança também saudaram os recentes compromissos e ações do Governo da Síria para combater o Estado Islâmico, ou Daesh, e a Al-Qaeda, e sublinharam as obrigações da Síria ao abrigo das resoluções relevantes do Conselho de Segurança relacionadas com o combate ao terrorismo.

Fonte: ONU

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

Uma mulher prepara comida para seus filhos em um acampamento improvisado em Tawila, Darfur do Norte, Sudão, onde famílias deslocadas buscaram refúgio devido ao conflito em curso.

Ofensiva em El Fasher, no Sudão, é investigada como crime de...

0
Relatório da ONU denuncia violações graves durante ofensiva no Sudão, com possíveis crimes de guerra e contra a humanidade. Mais de 6 mil mortos nos primeiros...
- Advertisment -spot_img