Descargas atmosféricas, cheias e surtos de cólera afectaram mais de 120 mil pessoas nos primeiros três meses da época chuvosa, com impactos severos nas infra-estruturas, agricultura e economia regional.
Perto de uma centena de pessoas perderam a vida nos primeiros três meses da presente época chuvosa em Moçambique, num balanço que evidencia não apenas a severidade dos fenómenos climáticos, mas também a persistente vulnerabilidade estrutural do País face a choques ambientais. Dados oficiais apontam para impactos humanos, materiais e económicos significativos, com especial incidência nas regiões centro e norte.
Descargas atmosféricas lideram causas de mortalidade
De acordo com o balanço apresentado pelo Centro Nacional Operativo de Emergência, as descargas atmosféricas continuam a ser a principal causa de mortes associadas à época chuvosa, representando mais de metade dos óbitos registados. Afogamentos, surtos de cólera e desabamento de infra-estruturas surgem como outras causas relevantes, num contexto de elevada exposição das comunidades a riscos climáticos.
Custo humano e pressão sobre os serviços sociais
Para além das vítimas mortais e feridos, mais de 120 mil pessoas foram directamente afectadas pelas chuvas, com milhares de casas total ou parcialmente destruídas ou inundadas. O impacto estendeu-se ao sector social, com centenas de salas de aula danificadas, dezenas de escolas afectadas e prejuízos directos para dezenas de milhares de alunos.
Unidades sanitárias e casas de culto também registaram danos, agravando a pressão sobre serviços já limitados em várias regiões do País.
Infra-estruturas rodoviárias e logística sob forte impacto
As chuvas provocaram danos extensos na rede viária, com milhares de quilómetros de estradas afectados, comprometendo a mobilidade, o escoamento da produção agrícola e o abastecimento de bens essenciais. Em várias zonas, o isolamento de comunidades e distritos revelou-se um factor crítico, com impacto directo sobre a actividade económica local e regional.
Este quadro reforça a vulnerabilidade dos corredores logísticos, sobretudo em zonas rurais e produtivas, num período crucial do calendário agrícola.
Agricultura afectada e rendimentos em risco
No sector agrícola, milhares de hectares foram afectados, com perdas totais em parte das áreas cultivadas, atingindo milhares de agricultores. A destruição de culturas e a perda de animais representam um risco acrescido para a segurança alimentar e para os rendimentos das famílias rurais, num contexto já marcado por pressões inflacionistas e fragilidade económica.
Resposta institucional e desafios de médio prazo
O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres activou mecanismos de resposta, incluindo evacuações, abertura de centros de acolhimento e prestação de assistência humanitária. Ainda assim, o balanço da época chuvosa volta a evidenciar desafios estruturais na prevenção, adaptação e resiliência climática.
Num País ciclicamente afectado por cheias, ciclones e secas severas, o impacto acumulado das intempéries reforça a necessidade de investimentos estruturais em infra-estruturas resilientes, sistemas de alerta precoce e planeamento territorial mais robusto.
Fonte: O Económico






