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Época chuvosa já matou 92 pessoas e expôs fragilidades estruturais em Moçambique

Descargas atmosféricas, cheias e surtos de cólera afectaram mais de 120 mil pessoas nos primeiros três meses da época chuvosa, com impactos severos nas infra-estruturas, agricultura e economia regional.

Perto de uma centena de pessoas perderam a vida nos primeiros três meses da presente época chuvosa em Moçambique, num balanço que evidencia não apenas a severidade dos fenómenos climáticos, mas também a persistente vulnerabilidade estrutural do País face a choques ambientais. Dados oficiais apontam para impactos humanos, materiais e económicos significativos, com especial incidência nas regiões centro e norte.

Descargas atmosféricas lideram causas de mortalidade

De acordo com o balanço apresentado pelo Centro Nacional Operativo de Emergência, as descargas atmosféricas continuam a ser a principal causa de mortes associadas à época chuvosa, representando mais de metade dos óbitos registados. Afogamentos, surtos de cólera e desabamento de infra-estruturas surgem como outras causas relevantes, num contexto de elevada exposição das comunidades a riscos climáticos.

Custo humano e pressão sobre os serviços sociais

Para além das vítimas mortais e feridos, mais de 120 mil pessoas foram directamente afectadas pelas chuvas, com milhares de casas total ou parcialmente destruídas ou inundadas. O impacto estendeu-se ao sector social, com centenas de salas de aula danificadas, dezenas de escolas afectadas e prejuízos directos para dezenas de milhares de alunos.

Unidades sanitárias e casas de culto também registaram danos, agravando a pressão sobre serviços já limitados em várias regiões do País.

Infra-estruturas rodoviárias e logística sob forte impacto

As chuvas provocaram danos extensos na rede viária, com milhares de quilómetros de estradas afectados, comprometendo a mobilidade, o escoamento da produção agrícola e o abastecimento de bens essenciais. Em várias zonas, o isolamento de comunidades e distritos revelou-se um factor crítico, com impacto directo sobre a actividade económica local e regional.

Este quadro reforça a vulnerabilidade dos corredores logísticos, sobretudo em zonas rurais e produtivas, num período crucial do calendário agrícola.

Agricultura afectada e rendimentos em risco

No sector agrícola, milhares de hectares foram afectados, com perdas totais em parte das áreas cultivadas, atingindo milhares de agricultores. A destruição de culturas e a perda de animais representam um risco acrescido para a segurança alimentar e para os rendimentos das famílias rurais, num contexto já marcado por pressões inflacionistas e fragilidade económica.

Resposta institucional e desafios de médio prazo

O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres activou mecanismos de resposta, incluindo evacuações, abertura de centros de acolhimento e prestação de assistência humanitária. Ainda assim, o balanço da época chuvosa volta a evidenciar desafios estruturais na prevenção, adaptação e resiliência climática.

Num País ciclicamente afectado por cheias, ciclones e secas severas, o impacto acumulado das intempéries reforça a necessidade de investimentos estruturais em infra-estruturas resilientes, sistemas de alerta precoce e planeamento territorial mais robusto.

Fonte: O Económico

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