Febre Aftosa sufoca economia de mais de 20 mil criadores de gado em Gaza 

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Mais de três mil pessoas estão na iminência de fome extrema em três comunidades de Mabalane, um cenário agravado pela interdição da venda e comercialização de gado, na sequência do surto da febre aftosa no distrito de Massingir. Mais de 20 mil criadores queixam-se de sufoco financeiro e exigem medidas urgentes.   

Com uma população de gado bovino estimada em mais de 70 mil cabeças, Mabalane vive aperto de medidas no sector pecuário, devido às medidas adoptadas para prevenir a febre aftosa, que eclodiu em duas comunidades de Massingir, há três meses. A informação foi, recentemente, confirmada pelo director dos Serviços Distritais de Actividades Económicas, Mauro Sumbane.

“O que nos torna propensos sempre é a nossa vizinhança com os parques nacionais de Limpopo e Banhine.  Nossa preocupação agora é termos a confirmação. Tendo a confirmação, vamos mobilizar parcerias,  para podermos ter a vacina de intervenção para vacinarmos” explicou Sumbane. 

O Director dos Serviços Distritais de Actividades Económicas avançou ainda que “tentamos isolar ou interditar por completo, a nível interno, a movimentação do gado das zonas baixas, que são as zonas circunvizinhas  do parque, assim como o distrito de Massingir”.

A interdição já afecta 80% das famílias que dependem da criação  para sua sobrevivência. Nisto, o “O País” deslocou-se a Mabalane para procurar homens que vivem da criação de gado. Quase duas horas de viagem depois, chegámos à aldeia de Madlatimbuti.

Roberto Machava, de 45 anos de idade, é um dos criadores de referência do distrito com mais de 170 cabeças de gado. O criador queixa-se de perdas de gado devido a “longas distâncias  para o abeberamento, e nisto há também vitelos que perecem devido a poeira no percurso”, lamentou.

Machava faz o que pode para proteger o seu gado, mas admite que os efeitos da  interdição da movimentação e comercialização de gado e seus derivados já se fazem sentir.

 “Activamos a associação para vedar um ponto para pastagem do gado da comunidade. Entretanto, há fome e escassez de alimentos. E, sem salário, dependo da venda de gado para conseguir dinheiro, mas assim, a situação é crítica. Estamos preocupados com a interdição da venda de carne”, manifestou-se.

O administrador, Sérgio Moiane, confirma que sector pecuário continua sob medidas para contaminação de perdas.

“Examinar todo o gado que sai, com os corais, para que daqui a pouco tenhamos também a  licença levantada para vendermos o gado bovino, porque é a única solução que  temos. Não chove, os elefantes estão a comer o milho, não podemos vender gado bovino, então estamos de mãos atadas”, lamentou o administrador de Mabalane.

O distrito está “atado”, e há 3 500 famílias na iminência da fome por conta da estiagem, que assola sobremaneira as comunidades de Mabalane-Sede, Combomune estação e Nhatimanba.

Contudo, o governo do distrito diz ter avançado com algumas acções para reverter o quadro da insegurança alimentar.

“Em termos de produção, chegamos a atingir volta de 40% daquilo que foi planificado.  Como governo, provisionamos cerca de 15 toneladas de cultura de feijão, 3 toneladas de milho,  30 mil estacas de mandioca para o sector familiar, 10 toneladas de rama de batata doce, cerca de 10 quilogramas de hortícolas. Essas intervenções tinham como foco o sector familiar”.

E, porque a produção que escapou à seca e inundações  foi devastada pelos elefantes nas machambas. Sérgio Moiane quer colaboração do parque nacional do Limpopo na mitigação do problema.

“Os elefantes devastaram cerca de 544 hectares de milho, as populações  estão com problemas de segurança alimentar nos limites do parque nacional do Limpopo. Nisso, temos que  colocar  mais postos de fiscalização para afugentar os animais”, concluiu, o administrador de Mabalane

O distrito de Mabalane continua interditado na sequência da febre aftosa detectada em Junho, em Massingir, que afectou 3600 bovinos e caprinos. A província de Gaza precisa de 120 mil doses para combater o surto até agora indisponível.

Fonte: O País

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