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Tuesday, January 20, 2026
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Fraude Cibernética Supera Ransomware e Torna-se Principal Ameaça Global em 2026

Relatório do Fórum Económico Mundial alerta que a inteligência artificial, a fragmentação geopolítica e a fragilidade das cadeias digitais estão a redefinir o risco económico global.

A fraude cibernética tornou-se a ameaça digital mais disseminada à escala global, ultrapassando o ransomware como principal preocupação dos líderes empresariais, num contexto em que a inteligência artificial, a fragmentação geopolítica e a interdependência das cadeias digitais estão a acelerar a exposição ao risco económico e social.

Segundo o Global Cybersecurity Outlook 2026, publicado pelo Fórum Económico Mundial em colaboração com a Accenture, o panorama da cibersegurança está a atravessar uma transformação estrutural profunda, deixando de ser apenas uma questão técnica para se afirmar como um factor estratégico de estabilidade económica, confiança pública e resiliência nacional.

Fraude digital emerge como risco económico e social transversal

O relatório revela que 73% dos inquiridos foram directamente afectados, ou conhecem alguém afectado, por fraude cibernética em 2025, um dado que ilustra a rápida disseminação deste tipo de crime por sectores, geografias e níveis de rendimento. Esta realidade explica por que razão os CEOs passaram a classificar fraude e phishing acima do ransomware como a sua principal preocupação em matéria de risco digital.

O Fórum Económico Mundial sublinha que o impacto da fraude vai além das perdas financeiras directas, afectando a confiança nos mercados, distorcendo a concorrência e gerando custos reputacionais significativos para empresas e instituições.

Inteligência artificial acelera riscos e redefine a cibersegurança

A inteligência artificial surge como o principal factor de disrupção do ecossistema cibernético. O relatório indica que 87% das organizações registaram um aumento de vulnerabilidades relacionadas com IA em 2025, a categoria de risco com crescimento mais rápido no último ano.

Vazamentos de dados associados à IA generativa e o reforço das capacidades ofensivas de actores maliciosos figuram entre as maiores preocupações para 2026. Ao mesmo tempo, 94% dos líderes globais acreditam que a IA será a força mais impactante na cibersegurança, obrigando empresas e governos a adaptarem rapidamente as suas estratégias de defesa.

Apesar dos riscos, cresce também a adopção de mecanismos de avaliação e governação da IA, com o número de organizações que avaliam activamente a segurança destas tecnologias a quase duplicar num ano.

Geopolítica e infra-estruturas críticas agravam vulnerabilidades

A fragmentação geopolítica está a intensificar o risco cibernético global. De acordo com o relatório, 64% das organizações já integram ataques motivados geopoliticamente nas suas estratégias de risco, enquanto 31% dos inquiridos manifestam baixa confiança na capacidade dos seus países responderem a ataques de grande escala contra infra-estruturas críticas.

Os níveis de confiança variam significativamente entre regiões, reflectindo desigualdades profundas na preparação cibernética nacional, particularmente em economias emergentes.

Cadeias digitais e fornecedores tornam-se risco sistémico

A crescente interligação das cadeias globais de abastecimento digital está a transformar fornecedores terceiros em potenciais pontos de falha sistémica. Entre grandes empresas, 65% identificam riscos associados a terceiros como a principal barreira à resiliência cibernética, um aumento significativo face ao ano anterior.

Incidentes envolvendo grandes fornecedores de serviços digitais demonstraram como falhas localizadas podem desencadear efeitos em cascata, com impacto transversal sobre sectores inteiros da economia.

Desigualdade cibernética expõe economias emergentes

O relatório alerta ainda para o aprofundamento da desigualdade cibernética entre regiões e sectores. Organizações menores apresentam o dobro da probabilidade de reportar níveis insuficientes de resiliência, enquanto regiões como a África Subsaariana e a América Latina enfrentam escassez crítica de competências especializadas em cibersegurança.

Este desequilíbrio aumenta a exposição ao risco sistémico e limita a capacidade de resposta colectiva a ameaças cada vez mais sofisticadas.

Cibersegurança como pilar da estabilidade económica

Para o Fórum Económico Mundial, o cenário descrito impõe uma mudança de paradigma: a cibersegurança deve ser tratada como um activo estratégico essencial, exigindo cooperação entre governos, empresas e fornecedores de tecnologia, partilha de informação e investimento sustentado em capacidades humanas e tecnológicas.

Num mundo cada vez mais impulsionado pela inteligência artificial, a capacidade de antecipar, mitigar e responder a riscos cibernéticos torna-se um factor determinante para a confiança, a competitividade e a estabilidade económica global em 2026.

Fonte: O Económico

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