Resumo
A fronteira de Ressano Garcia, em Maputo, registou um aumento significativo de cidadãos moçambicanos a sair para a África do Sul em 4 de janeiro de 2026, marcando um dos maiores fluxos migratórios da época festiva. As filas de veículos e viajantes intensificaram-se no posto fronteiriço, especialmente no quilómetro 4, onde equipas de Moçambique e África do Sul gerem o fluxo migratório. Autoridades confirmam estar preparadas para este aumento, que se estende até aos primeiros dias de janeiro. Durante o Natal e Ano Novo, mais de 490 000 pessoas atravessaram as fronteiras de Moçambique, com cerca de 179 000 a sair do país, incluindo para a África do Sul. Este movimento é comum nesta altura, muitas vezes associado ao regresso de trabalhadores moçambicanos, incluindo mineiros, às suas atividades profissionais após as festividades.
Por: Alfredo Júnior
A fronteira de Ressano Garcia, na província de Maputo, voltou a registar um pico significativo no movimento de saída de cidadãos moçambicanos com destino à África do Sul, na manhã de 4 de janeiro de 2026, marcando um dos maiores fluxos migratórios fronteiriços da actual época festiva.
Durante o dia, as filas de veículos e viajantes intensificaram-se no posto fronteiriço, em particular no quilómetro 4, local onde operam as equipas conjuntas de Moçambique e África do Sul para gerir o fluxo migratório. A porta-voz do Comando Conjunto moçambicano, Cármen Mazenga, confirmou que as autoridades estavam em prontidão para acomodar este aumento do movimento, que se estende tradicionalmente até aos primeiros dias de janeiro.
Segundo as autoridades, este movimento migratório intenso não é isolado. Durante a quadra festiva de Natal e Ano Novo, mais de 490 000 pessoas atravessaram as fronteiras de Moçambique, com cerca de 179 000 a sair do país em direcção a outras regiões, incluindo a África do Sul o que evidencia uma mobilidade fronteiriça excepcional durante este período.
O aumento significativo de saídas para a África do Sul tem várias explicações. Em anos anteriores, movimentos similares foram observados no mesmo ponto fronteiriço, muitas vezes associados ao regresso de trabalhadores moçambicanos, incluindo mineiros e outros migrantes laborais, às suas actividades profissionais após as festividades. Em janeiro de 2025, por exemplo, o levantamento do posto de atendimento no quilómetro 4 foi necessário para atender o intenso movimento de retorno de inúmeros mineiros aos seus empregos nas minas sul-africanas após o período festivo.
Tradicionalmente, Ressano Garcia funciona como um importante canal de mobilidade entre Moçambique e a África do Sul, seja para trabalho, comércio ou visitas familiares. É igualmente uma porta de trânsito para milhares de cidadãos que usam o espaço fronteiriço para se deslocarem entre os dois países, especialmente durante épocas de maior circulação como as festas de fim de ano ou feriados prolongados.
As longas filas no posto fronteiriço, como as observadas neste pico, reflectem também os desafios logísticos e infra-estruturais que acompanham grandes deslocações humanas em fronteiras terrestres. Apesar dos esforços das autoridades migratórias de ambos os países para agilizar o processo, a combinação de elevada procura, capacidade operacional limitada e procedimentos de controlo de fronteira resulta frequentemente em congestionamentos e esperas prolongadas para os viajantes.
As autoridades têm apelado à paciência dos cidadãos e sugerido a utilização de travessias alternativas, como as fronteiras de Ponta de Ouro, Goba e Namaacha, que também dispõem de condições de travessia para quem pretende entrar ou sair do país com maior celeridade.
Este tipo de movimentos migratórios evidencia, de forma concreta, a ligação socioeconómica estreita entre Moçambique e a África do Sul, onde uma parte considerável da força de trabalho moçambicana procura emprego, sustento familiar e oportunidades económicas fora das fronteiras nacionais. Ao mesmo tempo, revela os desafios de mobilidade, infra-estrutura e gestão fronteiriça que continuam a moldar a experiência quotidiana de milhares de cidadãos que cruzam regularmente esta passagem internacional.






