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FUGA DE CÉREBROS COMEÇA NAS SALAS DE AULA

Resumo

A fuga de cérebros é muitas vezes vista como um problema económico relacionado com salários baixos e falta de oportunidades. No entanto, o fenómeno começa nas salas de aula, onde jovens percebem os limites do sistema educativo devido a turmas sobrelotadas, falta de materiais e programas desatualizados. Esta realidade leva muitos jovens a optar por migrar em busca de melhores condições de aprendizagem e crescimento profissional. A escolha de trabalhar no estrangeiro não é uma rejeição do país de origem, mas sim uma resposta a um sistema educativo que não consegue reter talento. Para inverter esta tendência, é crucial investir na educação, proporcionando reconhecimento, estabilidade e oportunidades de futuro aos jovens, de forma a evitar a fuga de cérebros e de sonhos que poderiam ser desenvolvidos localmente.

Por: Virgílio Timana

A fuga de cérebros é frequentemente discutida como um problema económico ou como uma consequência inevitável da globalização. Fala-se de salários baixos, de falta de oportunidades e de mercados mais atractivos no exterior. Tudo isso é verdade. Mas raramente se olha para o ponto em que este fenómeno começa a ganhar forma: as salas de aula.

É na escola que muitos jovens começam a perceber os limites do sistema em que estão inseridos. Turmas sobrelotadas, falta de materiais básicos, programas desactualizados e professores sobrecarregados transmitem, ainda que de forma involuntária, uma mensagem clara: o conhecimento é valorizado no discurso, mas pouco apoiado na prática.

É neste contexto que vários jovens, mesmo com escolaridade concluída ou em curso, optam por migrar. A escolha de trabalhar na construção civil, seja na África do Sul ou em Portugal, surge menos como um sonho e mais como uma alternativa prática. Não se trata de desvalorizar esse trabalho, que é digno e necessário, mas de reconhecer que, muitas vezes, é adoptado como solução imediata para a falta de perspectivas profissionais no país de origem.

Importa sublinhar que a maioria destes jovens não abandona o seu país por falta de identidade ou de compromisso social. Pelo contrário, muitos partem com um forte desejo de regressar. No entanto, encontram no estrangeiro aquilo que sentiram faltar desde cedo: condições para aprender, investigar, errar e crescer. A fuga de cérebros, neste sentido, não é uma rejeição do país de origem, mas uma resposta a um sistema que não conseguiu reter talento.

No entanto, se a fuga de cérebros começa nas salas de aula, é também aí que pode começar a solução. Os jovens procuram reconhecimento, estabilidade e futuro, e se as salas de aula não forem capazes de alimentar essa esperança, a fuga continuará, não apenas de cérebros altamente qualificados, mas também de sonhos que poderiam ter sido construídos em casa. Investir seriamente na educação não garante que todos fiquem, mas aumenta a probabilidade de que partam por escolha e não por necessidade.

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