Resumo
O Fundo Central de Resposta a Emergências das Nações Unidas mobilizou cinco milhões de dólares desde Janeiro para ajudar as vítimas das cheias em Maputo e Gaza, Moçambique. Mais de 100 mil pessoas foram acolhidas em 110 centros de emergência, mas apenas 90 mil receberam assistência alimentar, de um total estimado de 620 mil necessitados. As chuvas intensas causaram inundações severas em várias regiões, resultando em 153 mortos, 254 feridos e danos significativos em infraestruturas públicas. Parceiros internacionais, incluindo a União Europeia, os Estados Unidos e Portugal, já prestaram ajuda humanitária. Moçambique, vulnerável a eventos climáticos extremos, enfrenta agora a reconstrução de infraestruturas e serviços afetados, num valor estimado em 644 milhões de dólares.
O Fundo Central de Resposta a Emergências das Nações Unidas (CERF) anunciou a mobilização de cinco milhões de dólares, desde Janeiro, para fazer face aos efeitos das cheias que atingiram as províncias de Maputo e Gaza, na região Sul de Moçambique. O financiamento destinou-se a garantir abrigo e assistência imediata às populações afectadas pelas inundações.
De acordo com informações divulgadas pela agência Lusa, os fundos resultaram de contribuições internacionais e foram aplicados no apoio às famílias deslocadas. Só no mês de Janeiro, mais de 100 mil pessoas chegaram a estar distribuídas por 110 centros de acomodação criados para responder à emergência.
Entretanto, num relatório com dados actualizados até 3 de Fevereiro, o organismo das Nações Unidas referiu que as chuvas intensas e persistentes provocaram inundações severas em vários pontos do País, com maior incidência nas regiões Sul e Centro. No entanto, apesar dos esforços em curso, apenas cerca de 90 mil pessoas receberam assistência alimentar, de um universo estimado em 620 mil que necessitam de apoio urgente.
Assim sendo, a organização reiterou estar a trabalhar em coordenação com parceiros humanitários e autoridades nacionais e locais, com vista a reforçar os mecanismos de resposta e garantir assistência vital às comunidades afectadas.
Por seu turno, dados actualizados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que, desde o início da época chuvosa, em Outubro, cerca de 844 mil pessoas foram afectadas em todo o País. O balanço aponta ainda para 153 mortos e 254 feridos. Actualmente, permanecem activos 77 centros de acomodação, acolhendo mais de 76 mil deslocados. Face à gravidade da situação, o Governo declarou alerta vermelho nacional a 16 de Janeiro.
Além das perdas humanas, as chuvas causaram danos significativos em infra-estruturas públicas. Desde 7 de Janeiro, foram afectadas 229 unidades sanitárias, 316 escolas e cinco pontes. No sector agrário, mais de 440 mil hectares de culturas foram atingidos, dos quais cerca de 275 mil considerados perdidos, prejudicando mais de 314 mil agricultores. Registou-se igualmente a morte de mais de 408 mil cabeças de gado.
Desta feita, vários parceiros internacionais, entre os quais a União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Alemanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega, Japão e China, já disponibilizaram ajuda humanitária para apoiar as operações no terreno.
A Organização das Nações Unidas alertou para o impacto profundo das cheias, sublinhando que persistem necessidades urgentes, sobretudo nas áreas de alimentação, abrigo e protecção.
Recentemente, o Executivo estimou em pelo menos 644 milhões de dólares o valor necessário para reconstruir infra-estruturas e repor serviços afectados pelas chuvas intensas registadas nas últimas semanas, com maior incidência nas regiões Centro e Sul.
Entre os danos registados, destaca-se a destruição de cerca de três quilómetros da Estrada Nacional Número 1 (N1), principal via que liga o País de norte a sul, situação que agravou as dificuldades de circulação e o escoamento de bens essenciais.
Por fim, importa recordar que Moçambique se encontra em plena época chuvosa, período frequentemente marcado por eventos extremos. Considerado um dos países mais vulneráveis às alterações climáticas, o País tem enfrentado, de forma cíclica, cheias e ciclones tropicais. Entre 2024 e 2025, foi atingido pelos ciclones Ciclone Chido, Ciclone Dikeledi e Ciclone Jude, que provocaram centenas de vítimas e afectaram mais de um milhão de pessoas. Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que, entre 2019 e 2023, eventos extremos causaram mais de mil mortes e impactaram cerca de 4,9 milhões de moçambicanos.






