Resumo
O processo de investigação às Linhas Aéreas de Moçambique avança com possibilidade de mais detenções devido a alegados esquemas de corrupção e má gestão. O ministro dos Transportes e Logística destaca indícios de práticas ilícitas em administrações anteriores, apontando para um padrão de uso indevido de recursos e drenagem de fundos. Auditorias revelaram pagamentos a empresas sem serviços prestados, levantando suspeitas de corrupção. O Ministério Público deverá aprofundar as investigações para proteger o património público. O caso envolve uma possível rede mais ampla de entidades externas beneficiadas por contratos fictícios, questionando os sistemas de contratação e fiscalização da transportadora. Paralelamente, está em curso um plano de reestruturação até 2032 para recuperar a viabilidade financeira da empresa e restaurar a confiança no setor da aviação, após detenções de altos responsáveis, incluindo o antigo diretor-geral.
O processo envolvendo as Linhas Aéreas de Moçambique continua a evoluir e poderá conhecer novos desenvolvimentos nos próximos dias. O ministro dos Transportes e Logística admite a possibilidade de mais detenções no âmbito das investigações relacionadas com alegados esquemas de corrupção, desvio de fundos e má gestão na companhia estatal.
Em entrevista à Rádio Moçambique, o ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe destacou que os avanços do processo estão sendo sustentados em auditorias forenses realizadas em 2025. De acordo com o governante, os relatórios identificam indícios claros de práticas ilícitas associadas a administrações anteriores, reforçando a determinação do Estado em responsabilizar os envolvidos.
Mais do que falhas administrativas, as auditorias apontam para um padrão de funcionamento que levanta suspeitas de uso indevido de recursos. Segundo o ministro, foram identificadas várias empresas que receberam pagamentos sem prestação efetiva de serviços, o que sugere a existência de um mecanismo organizado de drenagem de fundos. Assim sendo, caberá ao Ministério Público aprofundar as investigações e assegurar a proteção do património público.
O alcance do caso, no entanto, não se limita a responsabilidades individuais. As evidências reunidas indicam a possível existência de uma rede mais ampla, envolvendo entidades externas que beneficiaram de contratos sem execução comprovada. Este cenário coloca em causa os sistemas de contratação e fiscalização adotados ao longo dos anos dentro da transportadora.
Paralelamente, o Executivo procura reposicionar a empresa no mercado. O administrador executivo do Instituto de Gestão das Participações do Estado, Raimundo Matule, explicou que as detenções fazem parte de um plano mais abrangente de reestruturação, com horizonte até 2032. O programa está dividido em três fases: emergência, estabilização e desenvolvimento, e tem como meta recuperar a viabilidade financeira da companhia e restaurar a confiança no setor da aviação.
O caso ganhou maior projeção pública após as primeiras detenções, ocorridas a 26 de fevereiro, conduzidas pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção. Entre os detidos está João Carlos Pó Jorge, antigo director-geral da empresa, acusado de gestão danosa, peculato e corrupção. Também foram detidos Hilário Tembe, ex-director de operações, e Eugénio Mulungo, ligado à área financeira. Um outro alto responsável foi igualmente detido, embora a sua identidade não tenha sido divulgada.
No entanto, à medida que as investigações avançam, cresce a perceção de que o caso poderá expor falhas estruturais profundas na gestão da companhia. A possibilidade de novos nomes e empresas virem a público reforça a dimensão do processos.






