Resumo
Moçambique já usou 226% da sua quota de crédito do FMI, sem novo programa de apoio financeiro imediato. O relatório do FMI destaca o uso excessivo de crédito anterior, incluindo um programa suspenso em 2025. Não há confirmação de novo acordo de financiamento, mas está prevista uma avaliação em agosto de 2026. O Ministério das Finanças de Moçambique reconhece pressões de liquidez devido a várias razões, mas mantém perspetivas económicas sólidas a médio prazo. O Governo moçambicano destaca a necessidade de um novo programa com o FMI para implementar reformas, obter financiamento internacional e proteger os mais vulneráveis, contando com a consultora Alvarez & Marsal para apoiar o processo.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou que Moçambique já utilizou 226 % da sua quota de acesso ao crédito junto da instituição, sem indicação de um novo programa de apoio financeiro a curto prazo. Esta conclusão consta do mais recente relatório de consultas ao abrigo do Artigo IV, aprovado em 13 de fevereiro de 2026.
Segundo o documento, o valor de crédito já utilizado pelo país, superior à sua quota reflete o montante total desembolsado ao abrigo de acordos financeiros anteriores. O último foi o programa de Facilidade de Crédito Alargado (ECF) aprovado em 2022, no valor de 468 milhões de dólares, do qual foram desembolsados cerca de 343 milhões de dólares antes da sua suspensão em abril de 2025.
O relatório prevê uma avaliação pós‑financiamento para agosto de 2026 e a realização de novas consultas no prazo de 12 meses, mas não confirma formalmente um novo acordo de financiamento com o FMI neste momento.
O Ministério das Finanças de Moçambique reconheceu recentemente que o país enfrenta pressões de liquidez no curto prazo, atribuídas a “necessidades prementes de desenvolvimento”, à “redução do apoio externo” e a uma série de choques externos sem precedentes. Apesar deste contexto, o ministério afirma que as perspectivas económicas de médio prazo permanecem estruturalmente sólidas, apoiadas pela continuação de reformas fiscais e medidas de política destinadas a dinamizar o setor produtivo.
Em resposta ao relatório do FMI, o Governo moçambicano reiterou a necessidade de um novo programa com a instituição para ancorar um pacote de reformas, catalisar financiamento de parceiros internacionais e proteger as populações mais vulneráveis, destacando também a contratação da empresa Alvarez & Marsal como consultora financeira para apoiar esse processo.





